Actualidade e Cultura Judaica por Marco Moreyra



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O "Judaica fm" já era! Podem-me encontrar em www.meninorabino.com


Larry David faz TESHUVAH!!!



A essência da sabedoria da Kabbalah


Pelo Rabbi Yehuda Ashlag

A Kabbalah ensina a correlação entre causa e efeito de nossas fontes espirituais. Estas fontes se interligam de acordo com regras perenes e absolutas objectivando “gols” maiores - o entendimento do Criador por todas suas criações que existem neste mundo.

De acordo com a Kabbalah, ambos, a humanidade como um todo e cada uma das pessoas que a compõem devem alcançar o seu ponto mais alto na compreensão do objectivo e do programa da criação em toda a sua plenitude. Em cada geração houveram pessoas que por constante auto determinação e treinamento alcançaram determinados níveis espirituais. Em outras palavras, enquanto ainda subiam a escada, conseguiram chegar ao topo.

Rabbi Yehuda Ashlag

Esteja em quaisquer dos mundos, do micro ao macro, qualquer objecto material e suas correspondentes acções são controladas pelas forças espirituais que permeiam todo nosso universo. Pode-se representar figurativamente como se o universo se apoiasse sobre uma rede tecida por essas forças.

Para exemplificar, tomemos o menor dos organismos vivos, cujo único objectivo é manter a sua existência por um tempo suficientemente longo para procriar a próxima geração. Quantas forças e complexos sistemas agem neste organismo! E quantos destes sistemas o olho do homem e sua limitada experiência deixou de tomar conhecimento. Multiplicando estas forças pelo número enorme de criaturas vivas que existiram em nosso mundo - significando o universo e os mundos espirituais - obteremos apenas uma vaga e remota ideia sobre as forças e vínculos espirituais que nos controlam.

A grande variedade de forças espirituais podem ser imaginadas como dois sistemas iguais e interligados. A única diferença entre eles é que o primeiro sistema vem do Criador e desce através todos os mundos até chegar ao nosso. O segundo sai do nosso mundo e sobe todo o caminho de acordo com as regras já estabelecidas e que agiram sobre o primeiro sistema.

O primeiro sistema é chamado pela Kabbalah de "A Ordem da Criação dos Mundos e do Espírito". O segundo é chamado " A Compreensão ou os Passos da Profecia e Espirito". O segundo sistema supõe que aqueles que querem alcançar o pináculo deverão agir de acordo com as leis do primeiro sistema, e é exactamente o que é estudado na Kabbalah. Porém, no mundo espiritual o principal factor do descobrimento e entendimento não é o tempo, mas sim a pureza do espírito, do pensamento e do desejo.

No mundo material há muitas forças e fenómenos que não sentimos directamente. Por exemplo, electricidade, ondas magnéticas, etc. O efeito de suas acções, seus nomes, são corriqueiros até para as crianças. Apesar de nosso conhecimento sobre a electricidade ser limitado, nós apreendemos a valer-nos deste fenómeno para suprir algumas de nossas necessidades. Nós o chamamos pelo nome com a mesma familiaridade como chamamos o pão de pão e o açúcar de açúcar.

Analogamente, todos os nomes na Kabbalah parecem dar-nos uma noção real (material) para um objecto espiritual. Mas se pensarmos a respeito, não é somente a respeito do objecto espiritual que não temos nem mesmo a mais vaga ideia; não temos a menor noção sobre o Criador em Si, assim como não temos noção sobre qualquer objecto, mesmo aqueles que sentimos com nossas próprias mãos.

O fato é que não sentimos o objecto em si, mas sim as nossas reacções a sua acção e influência. Estas reacções nos dão o que parece ser conhecimento, apesar de que o objecto em si, sua essência permanece oculta. E ainda mais, não conseguimos compreender a nós mesmos!! Tudo o que sabemos sobre nós mesmos restringe-se apenas as nossas acções e as nossas reacções.

Ciência, como instrumento de pesquisa sobre nosso mundo é divida em duas partes; o estudo das propriedades da matéria e o estudo de sua forma. Em outras palavras não há nada em nosso universo que não consista de matéria e forma. Por exemplo, se tomarmos uma mesa, como combinação de matéria e forma, então a matéria é a madeira e o portador da forma é o formato de uma mesa. Um outro exemplo; a palavra mentiroso, onde a matéria é o homem que transporta a forma, a mentira.

A parte da ciência que se dedica ao estudo da matéria é baseada em experiência. Alicerçada nas experiências científicas, chegas-se a conclusões. Porém a parte da ciência que estuda a forma, sem a ligação com a matéria, em especial com as formas que nunca tiveram ligações com a matéria (por exemplo, comunismo como um ideal) não pode ser baseada em experiências. Isto porque, em nosso mundo, não ha tal coisa como forma sem matéria

A separação entre forma e matéria somente é possível em nossa imaginação. Portanto, neste caso, todas as nossas conclusões são baseadas apenas em premissas teóricas. Toda a alta filosofia pertence a esta categoria de ciência e a humanidade tem frequentemente sofrido por causa das conclusões sem fundamento. A maioria dos cientistas contemporâneos desistiram de usar esta metodologia de estudo pois não ha certeza quanto a veracidade de suas conclusões.

Explorando o mundo espiritual o homem por si descobre que estes mesmos sentimentos são somente desejos divinos para que ele se sinta desta forma. Ele se sente como um objecto de existência isolada e não como uma parte integrada ao Criador, e que tudo no mundo que o circunda não passa de uma ilusão da ação das forças espirituais sobre nós.

Esclarecerei este ponto através de um exemplo:

Era uma vez um homem pobre que vivia num pequeno vilarejo. Ele tinha uma carroça com uma parelha de cavalos, uma casa e uma família. De repente um infortúnio se abateu sobre ele. Os cavalo caíram, a mulher e os filhos morreram e a casa desabou e, por causa de seus pesares e tristeza, ele morreu logo após. E aí a decisão a ser tomada na corte suprema; o que dar para esta alma sofrida e atormentada para assegurar a sua felicidade. Decidem então dar-lhe a impressão que está vivo, que tem sua família junto a si, sua casa e seus cavalos. Fazem com que ele sinta-se feliz com seu trabalho e com sua vida.

Estes sentimentos são sentidos da mesma forma como sentimos um sonho; tudo o que vivenciamos num sonho, durante o mesmo, aparenta ser verdadeiro. É somente nossos sentimentos que criam a imagem daquilo que nos circunda. Então como é que podemos distinguir ilusão da realidade....

Kabbalah como ciência mundana também é dividida entre estudo da matéria e da forma. Possui porém, uma qualidade notável que demonstra a sua superioridade sobre as demais metodologias científicas. Aquela parte que trata do estudo da forma sem matéria é totalmente fundamentada em controle experimental, de sorte que pode ser testada e verificada.

O Kabbalista, tendo ascendido ao nível espiritual do objeto estudado, se atina à todas as qualidades do objecto em questão. Donde, dentro dele, ele sente uma plena compreensão e pode tratar praticamente com os diferentes tipos de forma antes que de sua corporificação material. É como se ele estivesse observando todas nossas ilusões como um observador externo.

A Kabbalah, assim como qualquer outra ciência, vale-se de certos símbolos e terminologia para descrever objectos e acções. A força espiritual, o mundo, a sfira são chamadas pelo mesmo nome que é usado para o mesmo objecto controlado por esta força em nosso mundo. Já que toda força ou objeto material tem uma correspondente força ou objeto espiritual que controla suas acções, há um ajuste perfeito entre o nome utilizado no mundo material e sua raiz espiritual - a fonte. Donde, dar um nome à objecto espiritual é somente possível à um Kabbalista que tenha alcançado um alto nível de percepção.

Alcançando o mesmo nível do objecto espiritual e ele pode ver as influências e a maneira que este influi em nosso mundo. Os Kabbalistas escrevem seus livros e transmitem o seu conhecimento usando esta linguagem. Essa linguagem é extremamente precisa. É baseada na fonte espiritual do objecto material e não pode ser alterada. A ligação entre o objecto e sua fonte espiritual e imutável. Esta forma é bem diferente do nosso uso quotidiano da linguagem. Nossa língua mundana, de uso quotidiano, está gradualmente perdendo sua precisão, pois é ligada somente à forma externa. A simples compreensão primária da linguagem não é o bastante. Mesmo se soubermos o nome de um objecto material de nível mais baixo, ainda assim não conseguiríamos entender sua forma espiritual mais elevada. Somente se soubermos a sua forma espiritual podemos compreender e ver a sua implementação material; a sua ramificação.

Isto nos traz a conclusão. Primeiramente é essencial compreender a fonte espiritual do objeto material. Temos que estar ciente de sua natureza e propriedades. Somente então podemos passar às ramificações em nosso mundo e estudar a sua interacção. Esta é a única forma de verdadeiramente compreender a linguagem da Kabbalah.

Porém aí então levanta-se uma pergunta natural. Como pode um principiante dominar esta ciência quando não consegue nem mesmo compreender seu professor. A resposta é muito simples. Somente é possível quando nos alçamos espiritualmente acima deste mundo. E isto é somente possível se nos livrarmos de todos os traços de egoísmo material e aceitarmos os valores espirituais como os únicos. Somente o desejo e paixão pelo espiritual em nosso mundo; esta é a chave para o mundo mais elevado.

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"Judeus" Messiânicos - o paradoxo bíblico (Parte II)


O Tanach (Biblia Judaica) tem referências proféticas a Jesus?

Os “judeus” messiânicos acreditam que Jesus foi o Messias prometido, e tentam provar isto citando várias passagens da Bíblia Judaica. Tais citações podem parecer impressionantes, espantosas e confusas para alguém com uma noção apenas vaga do Judaísmo e sem domínio do idioma hebraico.

A resposta judaica

1) A única razão pela qual tais passagens, as assim chamadas “provas textuais”, parecem estar aludindo a Jesus se deve ao facto de terem sido mal citadas, mal traduzidas ou tiradas fora de contexto, como os exemplos seguintes demonstram claramente. Qualquer trabalho escrito, se mal traduzido ou citado fora de contexto, pode ser levado a sugerir significados que jamais foram intencionados.
O Novo Testamento não foge à regra. Por exemplo, no Novo Testamento (Lucas 14:26), Jesus é citado como tendo dito:
“Se alguém vem a mim e não odeia seu próprio pai e mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs; sim, e até a sua própria vida, ele não pode ser meu discípulo”.
Uma leitura inicial deste verso dá a impressão de que uma pessoa deve odiar a sua própria família e até a si mesma, como pré-requisito para ser cristã. Entretanto, qualquer cristão que se defronte com uma leitura literal desta passagem reagirá defensivamente e insistirá que este verso não quer dizer o que parece. Somente aparentam ser desta maneira, ele ou ela explicarão, porque está sendo lido fora de contexto e sem tradução apropriada.
Este é exactamente o ponto onde queremos chegar. O que um versículo diz e o que quer dizer podem ser duas coisas completamente diferentes. Antes de se querer entender qualquer versículo apropriadamente, seja das Escrituras Judaicas ou seja do Novo Testamento, ele deve ser lido dentro de seu contexto e traduzido minuciosamente.
Similarmente, quando um missionário cita um verso das Escrituras Judaicas, temos de nos certificar de que o versículo está a ser trazido correctamente. Por exemplo, o Salmo 22:17 da Bíblia Judaica quando traduzido correctamente lê-se: “Eles cercaram minhas mãos e pés como um leão*”, referindo-se ao Rei David sendo perseguido pelos seus inimigos, os quais são habitualmente citados como um leão (como em Salmos 7 e 17). Contudo, quando lida fora de contexto e mal traduzida, como “Eles furaram minhas mãos e meus pés”; como aparece em versões cristãs, a passagem intencionalmente faz evocar pensamentos sobre Jesus.
Este exemplo demonstra apenas um dos muitos versos que os missionários distorcem e traduzem mal para servirem a seus propósitos. O Judaísmo tem uma resposta e uma explicação para cada um destes exemplos. A regra de ouro é sempre perguntar: “Estes versos estão a ser lidos dentro do seu contexto e com uma tradução exacta?”. Infelizmente, a maioria dos “judeus” messiânicos aceita cegamente a interpretação cristã, sem que nunca tenham ouvido falar ou compreendido correctamente visão judaica.
Após uma descomprometida reavaliação de ambos os lados, centenas de “judeus” messiânicos (anteriormente Judeus) têm retornado para o Judaísmo.

2) Os missionários habitualmente utilizam o Novo Testamento como prova de que eventos ou profecias na suas passagens mal traduzidas se cumpriram. Entretanto, para alguém que está familiarizado com a Bíblia Judaica a “inequivocabilidade” do Novo Testamento é questionável.
Considere os seguintes exemplos:
a) Em três lugares diferentes na Torah, (Bereshit 46:27, Shemot 1:5 e Devarim 10:22) afirma-se que o patriarca Jacob foi ao Egipto com um total de 70 pessoas. Em Atos 7:14 o Novo Testamento diz incorrectamente que este número de pessoas é 75.
b) Hebreus 8:8-13 do Novo Testamento, citando Jeremias, afirma que Deus trocou o Seu Pacto com os judeus por um “Novo Pacto”, afirmando que, já que os judeus não mantiveram o “Velho Pacto”, Deus “não se importava mais com eles”.
No entanto, o texto original em hebraico, de Jeremias 31:32 na Bíblia Judaica, não diz que Deus não se importava mais com eles, mas sim que Ele “continuou como um esposo para eles”. Alguns cristãos interpretam a sua tradução para significar que Deus rompeu o Seu Pacto e rejeitou o Povo Judeu. Isto é completamente inconsistente com a assertiva bíblica de que os mandamentos são eternos (Salmos 119:151-152) e de que Deus prometeu jamais rejeitar ou romper o Seu Pacto* com os judeus (Juízes 2:1 e Levítico 26:44-45)

* Para uma explicação mais detalhada sobre as Sete Leis dos Filhos de Noé, veja o livro The Path of the Righteous Gentile, de Chaim Clorfene e Yakov Rogalsky (Southfield: Targum Press, 1987).
** O termo “Ka’ari” significa claramente como um leão, como está evidente também da maneira como é usada em Isaías 38:13.
Escrito e compilado pelo Rabino BenTzion Kravits.
Adaptação: Marco Moreyra

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Decretos ...


Decreto do papa Bento XVI

Um decreto do papa Bento XVI permitindo que os padres celebrem a missa com mais regularidade em latim foi criticada por católicos sendo considerado por alguns como um golpe às reformas dos anos 1960 que promoveram a missa em línguas locais e compreensíveis para não-católicos. "Este é o momento mais triste em minha vida como homem, padre e bispo", lamentou Luca Brandolini, membro da comissão de liturgia da conferência de bispos italianos. O decreto também revive uma passagem do antigo livro de orações em latim para a Sexta-Feira Santa que pede para que os judeus sejam convertidos: "Oremos pelos judeus, para que Deus retire o véu que cobre seus corações e lhes faça conhecer nosso senhor Jesus Cristo".


Líderes judeus fizeram fortes críticas ao decreto, como o teólogo Brunetto Salvaranni, especialista no diálogo judaico-cristão, que foi enfático: “Em nome da sua nacionalidade e da militância que teve no passado na juventude nazi, faço votos para que o Papa Bento XVI tenha sensibilidade suficiente para excluir estes versos”. Outros, entretanto, assumiram um tom mais comedido. “Acho que alguns interpretaram o decreto de uma maneira extremamente alarmista. É preciso que se façam esclarecimentos, mas não
há dúvidas do compromisso do papa Bento em manter respeitosas relações com o povo judeu", opinou o Rabino David Rosen, do Comitê Judaico Norte-Americano.

Centro Simon Weisenthal pede demissão de sacerdote polaco

O Centro Simon Weisenthal pediu ao Papa Bento XVI para que demita o sacerdote polaco Tadeusz Rydzyk pelo seu “manifesto anti-semita", que tem vindo a provocar polémica no governo. O sacerdote, director da emissora ultracatólica Maryja, acusou o chefe de Estado, Lech Kaczynski, de ser favorável às reivindicações dos judeus em relação à Polónia: "A questão é que a Polónia deve dar aos judeus 65 milhões de Dólares. Eles virão até nós e pedirão: ''dê-me esta casa, pague estas calças, dê-me estes sapatos”, afirmou Rydzyk. O padre ainda chamou a esposa do presidente de "bruxa". O Congresso Judaico Europeu abriu em vão um processo judicial contra a emissora, que é protegida pelo governo conservador de ... Kaczynski (!).


Foto-montagem do padre Rydzyk numa nota de 50 Zlotis*

* Fruto da constante condenação dos liberais polacos pela obsessão do Padre pelo dinheiro. Há mais fotos dele ao lado de Ferraris, só rir...

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Judaismo, Marranismo e Identidade


Por: Jorge Martins, Prof. de História e autor dos 3 vol. de "Portugal e os Judeus"

Os judeus viveram um longo período de afirmação e crescimento em Portugal até que, em 1496, sob a pressão dos ventos adversos que sopravam forte da vizinha Espanha desde finais do século XIV, D. Manuel I não soube ou não quis resistir às exigências políticas espanholas, quando desposou a filha dos "Reis Católicos". Pior do que a expulsão, ao contrário do que haviam feito os seus sogros, o nosso rei tentou a todo o custo impedir a saída dos judeus e, com eles, os seus cabedais, o seu saber, a sua competência, a sua experiência, a sua capacidade empreendedora, o que arruinaria o tecido sócio-económico do reino. Enganou-os, não cumpriu o seu próprio édito intolerante e forçou-os ao baptismo. Mas, mais do que o incomensurável drama humano que provocou numa boa parte da portugalidade, foi a incompatibilidade que introduziu na sociedade portuguesa. Os judeus, agora não-judeus, mas sempre tidos como tal, eram rejeitados, quer como judaizantes quer como espúrios, condenados à eterna mácula do "pérfido" sangue judaico, uma gota que fosse.

Verdadeiramente anti-semita, D. João III daria o golpe final na situação que seu pai criara, mas que oscilava o suficiente para vir em socorro das vítimas do massacre de 1506, decretando a extinção da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, vedando as inquirições às práticas judaicas, autorizando a sua saída do reino, não pedindo com a devida veemência o Santo Ofício para o Reino. Seria, efectivamente, seu filho, o incansável inimigo dos judeus, quem porfiaria nas pretensões intolerantes do estabelecimento da Inquisição, que compraria à Santa Sé, após mais de uma década de esforços, de corrupção activa e de imensos cabedais.Importada que foi a expulsão, sem qualquer alteração substancial da relativa aceitação do judeu na sociedade portuguesa, apesar da existência de alguma animosidade, quiçá ampliada pelos infelizes acontecimentos no resto da península, a Inquisição viria alterar irreversivelmente a relação entre cristãos-novos e cristãos-velhos. Apesar do terror inquisitorial, a resistência cristã-nova e a persistência do culto judaico durante os séculos XVI a XVIII, pode ser atestada pelos próprios processos do "fero monstro", pela conversão de inúmeros cristãos-novos portugueses que se exilam para poderem desenvolver as suas actividades económicas e assumir a sua verdadeira religião e pela espantosa emergência do criptojudaísmo durante as primeiras décadas do século XX.

Não partilhamos a (insuficientemente fundamentada) justificação da introdução da Inquisição como uma necessidade de regulação da relação entre cristãos e judeus, ou como uma tentativa de evitar o mal maior do antijudaísmo popular. Um dos argumentos mais utilizados para legitimar o Santo Ofício como uma resposta aceitável para a época, é o do massacre de 1506, que foi sanado por D. Manuel, que castigou exemplarmente os instigadores, comandados por dois frades dominicanos, que também foram executados por ordem régia. Mas, uma vez mais se comprovava assim que a acção tolerante dos nossos monarcas poderia ter evitado o crescendo do antijudaísmo encorajado e acicatado por clérigos intolerantes. Contudo, a política prosseguida por D. João III foi a grande responsável pela inviabilização da conciliação possível de judeus e cristãos, como acontecera no passado. A Inquisição não foi, pois, uma necessidade, um impulso natural, uma tentativa de evitar um mal maior. Bem pelo contrário, o Tribunal do Santo Ofício encarcerou o país nas teias da estreiteza anti-humanista da visão de um clero racista que empenhou o futuro de Portugal a todos os níveis.

Não obstante, não se pode deixar de assinalar que houve homens corajosos que se opuseram aos crimes inquisitoriais, sancionados por D. João III e todos os monarcas que lhe seguiram as pisadas. O primeiro grande filo-semita foi António Vieira, que, apesar de não ter sido bem sucedido nos seus intentos tolerantistas, acabaria por influenciar outras personalidades, como D. Luís da Cunha, Xavier de Oliveira, Ribeiro Sanches e Melo Freire, que retomariam as propostas de reforma dos métodos da Inquisição ou, mesmo, de aceitação do livre culto aos judeus. Quando Pombal legislou favoravelmente às pretensões judaicas, ironicamente, poria em prática as teses de um dos principais lutadores pela tolerância, o jesuíta António Vieira, membro da odiada Ordem a quem Sebastião José de Carvalho e Melo acusaria de responsável por todos os males do Reino.

Ceifada pela raiz a intolerância antijudaica, designadamente na sua expressão literária e na inaceitável discriminação persistente em pleno Século das Luzes, estava delineado o caminho para a emancipação judaica, que começaria pela criação de comunidades israelitas em Lisboa, Açores e Faro, veria consagrada tacitamente na lei a sua existência, embora como "colónias" estrangeiras, com a extinção da Inquisição, e alcançaria o reconhecimento legal após a implantação da República. Seria justamente durante o novo regime republicano que emergiriam à luz do dia das conservadoras terras interiores das Beiras e de Trás-os-Montes as comunidades marranas, esquecidas do judaísmo oficial, esquecidas do país, esquecidas do mundo, até esquecidas de si próprias. Novo abalo se sentiria nas hostes anti-semitas, que haviam sido emudecidas por Pombal desde o último quartel do século XVIII. Com efeito, se o século XIX não foi favorável ao crescimento dessas ideias entre nós, a proclamação da República e o resgate do criptojudaísmo veio proporcionar novos argumentos aos paladinos da intolerância, adversários da liberdade e da democracia. Barros Basto tornava-se assim o centro das atenções anti-semitas, enquanto se invocavam os Protocolos dos Sábios do Sião para confirmar as pretensões dominadoras do mundo e derruidoras do edifício católico por parte dos israelitas.O criptojudaísmo, assolado por anti-semitas cada vez mais intervenientes e por judeus receosos da estabilidade, paulatina e sofridamente alcançada ao longo de mais de um século de dificuldades, de dissenções internas e de precauções externas, depois de um momento de euforia internacional, ver-se-ia remetido a um criptomarranismo forçado. O país nunca mais recuperaria a alma judaica, enterrada pela Inquisição e inviabilizada na sua forma única de sobrevivência: o marranismo.

Forçados a abjurar o judaísmo, perseguidos por nos termos tornado cristãos-novos à força, impossibilitados de regressar ao judaísmo oficial e incapazes de criar uma igreja marrana, tornámo-nos um povo com identidade, não apenas múltipla e miscigenada, mas difusa e sempre dominada por uma angustiante duplicidade, que nos tem impelido, ora para a exagerada euforia optimista, ora para o recorrente pessimismo de não termos assumido uma identidade, qualquer que fosse, mas uma identidade assente em inequívocas raízes de pertença, interiorizadas em todas as suas dimensões.

Foi este o mais perene dos muitos crimes da Inquisição, que os dois séculos posteriores à tri-centenária história da intolerância não conseguiram reconciliar no ser português que somos hoje. Na verdade, perdemos a nossa plena identidade a partir do início do século XVI e nunca mais a recuperámos até hoje. Por outras palavras, apesar da tão propalada presença judaica no ser português, ainda não somos capazes de assumir, no século XXI, a dimensão judaica da nossa identidade.

Isto é consequência da bem sucedida acção de desmantelamento da sociedade das três culturas – cristã, judaica e muçulmana – que Portugal esboçou na aurora da nacionalidade e se poderia ter aprofundado, não fora o infamante decreto de expulsão e o terrorista tribunal da Inquisição. Com efeito, as comunidades judaicas portuguesas crescem entre os séculos XII e XV, revelando um claro sinal de que a tolerância – aceitando-lhe a natureza contraditória –, assumida pela generalidade dos nossos monarcas até D. Manuel I, possibilitaram o enraizamento da dimensão judaica do ser português do século XVI. Mesmo o rei que decretou a expulsão de judeus e mouros sabia que isso seria – como, infelizmente, para eles e para nós, foi – uma catástrofe económica, social e cultural irreversível. Por isso, não deixou sair os judeus e baptizou-os à força, mesmo contra a vontade dos seus conselheiros.

A desestruturação mental que o baptismo forçado e a acção inquisitorial operaram na sociedade portuguesa, obliterou o (embora precário e desigual) convívio inter-religioso e intercultural que se estava a construir ainda antes da fundação da nacionalidade e se aprofundou durante os séculos XII a XV. Foi a intolerância católica que impediu o português de quinhentos de ser o que era de facto: um povo de raízes diversas. Essa amputação social, cultural e mental teria repercussões incomensuráveis em todos os domínios da vida portuguesa, acabando por atravessar a história dos judeus, dos marranos e dos cristãos (novos e velhos), que não mais puderam assumir-se em toda a plenitude do seu ser. Dos escolhos da(s) intolerância(s) emergiria um novo português, o português que todos nós somos um pouco: o marrano, que, quer queiramos ou não, nos ficou como uma marca identitária indelével.

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Em resposta a esta farsa (clique para ler) prestes a instalar-se em Trancoso pretendo com uma série de "posts" esclarecer os demais leitores sobre o fenómeno messiânico...

Muitas pessoas ficam confusas com os argumentos dos “judeus” messiânicos e desconhecem a resposta judaica às seguintes afirmações dos mesmos:

1) É possível para os judeus e marranos manterem a sua identidade judaica mesmo após se converterem ao “judaísmo” messiânico.

2) A Bíblia Judaica está repleta de referências proféticas a Jesus.

3) Salvação espiritual e relacionamento pessoal com Deus são possíveis somente através de Jesus.

4) Há milagres que “provam” a validade do Cristianismo.

5) A crença cristã na Trindade Divina é compatível com o Judaísmo.

Esperamos que ao examinar-se cada uma destas questões e a resposta judaica correspondente, a posição do Judaísmo seja claramente compreendida.

É possível para os Judeus e Marranos manterem a sua identidade judaica após se converterem ao “Judaísmo” Messiânico?!

No seu intento de converterem judeus, os missionários messiânicos afirmam que uma pessoa pode continuar a ser judeu enquanto pratica o Cristianismo. O uso de terminologias como “judeu messiânico”, “cristão hebreu”, e “judeu para Jesus” é apenas uma tentativa enganosa de apresentar os judeus convertidos como judeus.* Na verdade, os missionários chegam ao extremo de afirmar que um judeu que aceita Jesus (ou Yeshua” , como o chamam) é um “judeu completo”, implicando obviamente que todos os outros judeus são incompletos. A adulteração e a fraude empregadas nestas tentativas de disfarçar a seriedade de uma conversão de um judeu ao Cristianismo se reflecte similarmente no amplo uso distorcido de símbolos e costumes judaicos,* na fabricação de textos judaicos e na falsa apresentação de “bagagem” e educação judaica de muitos “judeus” messiânicos.

Numerosos líderes “judeus” messiânicos desonestamente referem-se a si mesmos como “rabinos” e aos seus locais de culto como “sinagogas”. Estas tácticas são empregadas numa tentativa de tornarem sua versão do Cristianismo mais palpável para os judeus e marranos que pretendem converter. Entretanto, nas palavras de um dos inúmeros grupos cristãos que condenam a “Cristandade Hebraica”, “... estas técnicas proselitistas são similares às conversões forçadas e devem ser condenadas”. (de uma declaração formal emitida pela Conferência Interreligiosa da Washington Metropolitana, D.C.)


A Resposta Judaica


O facto continua a ser que, apesar destas tentativas superficiais de soarem judaicos, termos “cristão hebreu”, “judeu messiânico” e “judeus para Jesus” são paradoxos absurdos e uma contradição teológica. Os assim chamados “judeus” messiânicos argumentam que uma pessoa que nasceu judia jamais poderá perder seu direito de nascença ou herança. Entretanto, a Bíblia ensina que as suas crenças sim influenciam seu status judaico e que uma pessoa que nasceu judia pode em certo momento parar temporariamente de ser chamada de judia.

No Livro dos Reis, o profeta Elias é enviado para repreender aqueles judeus que estavam idolatrando um deus estrangeiro chamado Baal. Em Reis I, 18:21, Elias diz a eles, “Até quando vocês vão pender entre duas opiniões? Se Hashem é Deus, sigam a Ele; mas se for o Baal, então sigam a ele”. Em outras palavras, ou vocês são judeus ou são seguidores do Baal; não podem ser ambos. A história termina com os judeus renunciando a seus caminhos idólatras e retornando ao Judaísmo.

Daqui nós tiramos uma importante lição. Um Judeu que segue outra religião é judeu apenas até o ponto em que mantém uma obrigação espiritual de se arrepender e de retornar ao Judaísmo. No entanto, enquanto suas crenças forem idólatras e estranhas ao Judaísmo, ele não pode chamar-se judeu (obviamente, um judeu não praticante é diferente de um judeu que decidiu trilhar um caminho estranho). A Torá ensina que aos judeus e aos não-judeus foram dados caminhos diferentes para chegarem até Deus. Um judeu é obrigado a seguir a Torá enquanto um não-judeu deve observar as Sete Leis dos Filhos de Noé.** Um grupo não é melhor do que o outro, mas meramente diferente. Por isto, certas crenças e práticas, como comer porco, são permitidas aos não-judeus, mas não aos judeus. As crenças cristãs referentes a Deus, salvação e Messias são proibidas para os judeus. É por isso que os termos “judeus messiânicos”, “cristãos hebreus” ou “judeus para Jesus” são uma
contradição.


* Os Manuais de treino de Missionários Messiânicos estimulam o uso das expressões “crente, temente” ao invés de “cristão”, “Messias” ao invés de “Cristo”; “árvore” ao invés de “cruz” e “Novo Pacto” ao invés de “Novo Testamento”, para promover uma mensagem que soe mais judaica.

** Na sua tentativa de justificarem sua judaicidade, certos “cristãos hebreus” tacharam o Judaísmo rabínico como sendo um culto, haja vista que afirmam que ele “segue as palavras de homens e não de Deus”. Além de falsa, esta alegação também é hipócrita: “cristãos hebreus” utilizam estas mesmas tradições rabínicas para aparentarem suas práticas com aspecto de “judaicas”.

Escrito e compilado pelo Rabino BenTzion Kravits.
Adaptação: Marco Moreyra

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Porque eu admiro Israel


Por: Farid Ghadry, Sírio e Muçulmano
Como sírio e muçulmano sempre tive afinidade pelo Estado de Israel. Como homem de negócios e defensor do sistema económico liberal, Israel representa, do meu ponto de vista, um sucesso económico surpreendente, entre tantos fracassos árabes. Eu não meço as realizações em termos de negócios ou dólares, entrando ou saindo (a Arábia Saudita é melhor nisto), mas usando conceitos do valor científico que, definitivamente, é o motor que mobiliza as realizações económicas.
Enquanto muitos árabes vêem Israel como uma ferida instalada, eu vejo como uma bênção. Posso exemplificar a que me refiro.
Após a desgraça de Virginia Tech (N.T. o pior massacre em uma universidade americana, que deixou 33 pessoas mortas, incluindo o aluno serial killer), descobrimos que amigos nossos perderam uma filha. Uns dez dias depois fomos visitá-los junto com outros amigos. Nós conversamos sobre a tragédia e, um de meus amigos mais queridos, a quem respeito muito, relatou-nos um fato que ele tinha escutado. Era sobre como o Embaixador de Israel em Washington tinha conseguido, através de determinados contactos, transladar, por razões religiosas, os restos mortais do Prof. Liviu Librescu ( N.T. sobrevivente do Holocausto, professor da universidade, que morreu para salvar seus alunos do massacre) para sua família, antes que qualquer membro das outras famílias pudessem ver seus parentes mortos. Ele estava furioso com o Embaixador, mais do que contra a falta de boa vontade demonstrada pelas autoridades, de mandar simultaneamente os corpos dos muçulmanos também perecidos, especialmente o do estudante egípcio Waleed Shaalan. Eu lhe perguntei: "o Embaixador egípcio solicitou que o corpo de Shaalan fosse devolvido rapidamente à sua família, como exigem as tradições religiosas?" Ele não soube responder à pergunta mas, mesmo assim, continuou indignado com o Embaixador israelense. Ele se comportou como se a Embaixada israelense tivesse feito isso para ofendê-lo, ou ofender qualquer outro árabe. Para mim, isso confirmou minha admiração por um Estado que respeita seu povo.
Após algumas discussões inflamadas, praticamente todos concordaram que falta aos árabes qualquer sentimento de respeito para com seus povos (basicamente por falta da responsabilidade de seus governos). Os árabes deveriam adoptar uma atitude que lhes conceda o que lhes cabe. Isto acontecerá, se eles se preocuparem mais com o "como" do que com o "por que" Israel obtém resultados.
A democracia israelense e sua prosperidade económica, tão necessária em nossa região, é importante na medida em que nós podemos aprender como obter o que nós merecemos. Não é difícil imaginar nossos jovens, aprendendo o que eles merecem, quando observam a democracia israelense na televisão. Porém, é difícil imaginar que eles possam fazer o que necessitam, enquanto viverem sob um regime autoritário. Esta é a razão pela qual os árabes enviam seus próprios jovens para o terrorismo suicida, em vez de educá-los de forma que eles cresçam e sejam cidadãos do mundo; para que um dia eles possam usar suas relações para ajudar seu povo, como o Embaixador israelense em Washington ajudou a família Librescu. Como eles podem se desenvolver em um meio que anula a esperança no futuro?
Em menos de 60 anos Israel construiu uma economia dez vezes mais forte do que a da Síria, com a quinta parte da população. Como este fato é explicado? Simplesmente: Israel é uma democracia efervescente. Não por nossa culpa, a Síria sofreu uma ocupação após a outra, a última, desenvolvida organicamente, representada pela família Assad. Alguém pode supor que uma família síria ocupando a Síria cause menos danos do que a conquista francesa da Síria. Mas, a verdade é que é muito pior. A família Assad, não tão civilizada, usa técnicas despóticas muito piores. O resultado é que a Síria não apenas sofre pela falta de oportunidades e liberdades, mas também pela ausência de esperança, de dignidade e de orgulho. É uma boa fórmula para a criação de terroristas suicidas.
Quando a conceituada organização Berkshire Hathaway de Omaha imaginou investir no Oriente Médio, comprou acções de companhias industriais israelenses com base em sua excelência. Eu não conheço nenhuma companhia de investimentos ocidental que tenha adquirido ações de uma companhia estatal árabe, além de empresas lucrativas de celulares, que não podem funcionar sem know-how e equipamento ocidentais. Isso não significa que, algum dia, não possa ocorrer. Mas, eu tenho certeza de que não acontecerá a curto prazo, com nenhum dos países que cercam Israel (com excepção, talvez, da Jordânia), enquanto eles não acreditarem naquilo que podem conseguir. Diz-se que, em torno de um terço de todos que ganharam os Prémios Nobel científicos é judeu. Esta proporção é incompreensível. Um terço provém de um grupo de 15 milhões de pessoas, e os outros dois terços pertencem a uma população muito maior, de seis bilhões de pessoas ou mais. Os árabes (na maioria egípcios), conseguiram dois ou três prémios Nobel da Paz e da Literatura (dentre 350 milhões de pessoas), mas nenhum árabe ganhou em ciências, seja nas áreas de Química, Física ou Medicina. Algum argumento até agora contra a importância de Israel na região?
As declarações que se escutam de pessoas como o ignorante Ahmedinajad, que aspira varrer Israel do mapa, ou do violento Hamas, que quer lançar os judeus no mar, me lembra o conto das duas fábricas, construídas uma ao lado da outra. Uma delas teve muito êxito, com empregados que ganhavam bem. A outra não foi tão bem sucedida. Seus empregados ficaram economicamente prejudicados. O gerente da fábrica não tão bem sucedida perde todo seu tempo lutando para destruir a fábrica próspera, quando deveria investi-lo em imitar e aprender com a fábrica bem sucedida, de forma que seus empregados também desfrutassem de similar prosperidade. Se parte dos palestinos não quer aprender (muitos querem imitar o sucesso da empresa ao lado, mas não têm a oportunidade de expressar suas ideias ou de galgar a posições de poder) nós sírios queremos aprender e imitar.
James A. Baldwin disse: "Nem tudo que se enfrenta pode ser mudado, mas nada pode ser mudado até que seja enfrentado". Do meu ponto de vista a discussão sobre a divisão das terras está em segundo plano, atrás da necessidade de trazer prosperidade ao meu povo.

Artigo originalmente publicado no blog da organização Reform Party of Syria em 5 de Maio de 2007. Tradução: Walda Heynemann

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Anti-semitismo cresce na Europa


Na Itália, 18% da população acreditam terem sido os judeus os responsáveis pela morte de Jesus. Na Polónia, são 39% os que sustentam essa afirmação. Além disso, cerca de um terço dos italianos (32%) acreditam ser "provavelmente verdadeiros" ao menos três entre quatro estereótipos anti-semitas submetidos ao juízo dos entrevistados.

Esses são alguns dos resultados revelados por uma pesquisa da entidade israelita Liga Contra a Difamação dos Judeus (ADL) em cinco países europeus: Itália, França, Espanha, Alemanha e Polónia. Os resultados indicam um possível aumento dos comportamentos hostis aos judeus na Europa, em comparação com outra pesquisa realizada em 2005. "Milhões de europeus", afirmou o director nacional da ADL, Abraham Foxman, "continuam a adoptar uma vasta gama de estereótipos anti-semitas e teorias da conspiração, como a acusação de que os judeus são mais leais a Israel que ao seu país" .

Fonte: Jornal ALEF

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A História da Kabbalah e do Zohar


O primeiro Kabbalista que conhecemos foi o patriarca Abraham. Ele viu as perplexidades da existência humana, fez perguntas ao Criador, e os mundos superiores se revelaram para ele. O conhecimento que ele adquiriu, e o método usado nessa aquisição, ele transmitiu para as próximas gerações. A Kabbalah foi transmitida entre os Kabbalistas oralmente por muitos séculos. Cada Kabbalista adicionou sua experiência única e sua personalidade a esse conjunto de conhecimento acumulado. Suas realizações espirituais foram descritas em linguagem apropriada para as almas de suas gerações.

Judeu Hassidi em Safed *
(*conhecida como a cidade Kabalista)

A Kabbalah continuou a se desenvolver depois que a Bíblia (os Cinco Livros de Moisés) foi escrita. No período entre o Primeiro e o Segundo Templos (586 aec – 515 aec), já era estudada em grupos. Após a destruição do Segundo Templo (70 ec) e até a geração atual, houve três períodos particularmente importantes no desenvolvimento da Kabbalah, durante os quais foram elaborados os mais importantes escritos sobre o seu estudo.

O primeiro período ocorreu durante o 2o século, quando o Rabbi Shimon Bar Yochai (o Rashbi) escreveu o livro do Zohar. Isso aconteceu por volta do ano 150 da era comum. O Rabbi Shimon era um discípulo do famoso Rabbi Akiva (40ec – 135ec). O Rabbi Akiva e vários de seus discípulos foram torturados e mortos pelos romanos, que se sentiam ameaçados pelo ensinamento da Kabbalah. Eles esfolaram sua pele até os ossos com uma escova de aço para cavalos (como o atual ancinho). Em seguida à morte de 24.000 discípulos do Rabbi Akiva, o Rashbi foi autorizado pelo Rabbi Akiva e pelo Rabbi yehuda Ben Aba a ensinar a Kabbalah às gerações futuras, tal como tinha sido ensinada a ele. O Rabbi Shimon Bar Yochai e quatro outros foram os únicos a sobreviver. Após a captura e prisão do Rabbi Akiva, o Rashbi escapou com seu filho, Elazar. Eles se esconderam numa caverna por 13 anos.

Eles saíram da caverna com o Zohar, e com um método consolidado para estudar Kabbalah e atingir a espiritualidade. O Rashbi atingiu os 125 níveis que o homem pode alcançar durante sua vida neste mundo. O Zohar nos conta que ele e seu filho alcançaram o nível chamado ‘Eliahu o Profeta’, o que significa que o próprio Profeta os ensinou.

O Zohar foi escrito de uma forma especial e única, a forma das parábolas, em aramaico – uma língua falada nos tempos bíblicos. O Zohar nos conta que o aramaico é o ‘inverso do hebraico’, o lado oculto do hebraico. O Rabbi Shimon Bar Yochai não escreveu, ele mesmo; ele transmitiu a sabedoria e o modo de alcançá-la de um modo organizado, ditando o conteúdo ao Rabbi Aba. Aba escreveu novamente o Zohar de um tal modo que somente aqueles que fossem merecedores pudessem compreendê-lo.

O Zohar explica que o desenvolvimento humano divide-se em 6.000 anos, durante os quais a alma atravessa um contínuo processo de desenvolvimento, a cada geração. No fim do processo as almas alcançarão uma posição chamada ‘o fim da correção’, isto é, o nível mais alto de espiritualidade e plenitude.

O Rabbi Shimon Bar Yochai foi um dos maiores de sua geração. Ele escreveu e interpretou muitos assuntos Kabbalisticos, que foram publicados e são bastante conhecidos até os dias de hoje. Por outro lado, o livro do Zohar desapareceu após ter sido escrito.

Segundo a lenda, os escritos do Zohar foram mantidos ocultos numa caverna próxima de Safed, em Israel. Eles somente foram encontrados muitas centenas de anos após, por árabes que moravam naquela área. Um Kabbalista de Safed comprou peixe no mercado um dia, e surpreendeu-se quando descobriu o valor imensurável do papel em que o peixe vinha embrulhado. Ele imediatamente comprou as demais folhas de papel dos árabes, e reuniu-as em um livro.

Isso aconteceu porque a natureza das coisas ocultas é tal que elas precisam ser descobertas no momento apropriado, quando almas apropriadas tiverem reencarnado e entrado no nosso mundo. Foi assim que o Zohar pôde ser revelado após tanto tempo.

O estudo desses escritos foi conduzido em segredo por pequenos grupos de Kabbalistas. A primeira publicação do livro foi efetuada pelo Rabbi Moshe de Leon, no século XIII, na Espanha.

O Segundo período do desenvolvimento da Kabbalah é muito importante para a nossa geração. Esse foi o período do ‘ARI’, Rabbi Yitzchak Luria, que criou a transição entre os dois métodos do estudo da Kabbalah. A primeira vez em que a pura linguagem da Kabbalah apareceu foi nos escritos do Ari. O Ari proclamou o início de um período de estudo massivo e aberto da Kabbalah.

O Ari nasceu em Jerusalém em 1534. Era criança quando seu pai morreu, e sua mãe o levou para o Egito, onde ele cresceu na casa de seu tio. Durante sua vida no Egito, ele se sustentava com o comércio, mas dedicava a maior parte do seu tempo a estudar Kabbalah. A lenda diz que ele passou sete anos isolado na ilha de Rodes, no Nilo, onde ele estudou o Zohar, livros dos primeiros Kabbalistas e escritos de um outro Rabbi de sua geração, o ‘Ramak’, Rabbi Moshe Cordovero.

Em 1570 o Ari chegou a Safed, Israel. Apesar de sua juventude, ele imediatamente começou a ensinar Kabbalah. Sua grandeza foi logo reconhecida; todos os sábios de Safed, que eram muito versados na Sabedoria oculta e revelada, vieram estudar com ele, e ele se tornou famosos. Por ano e meio seu discípulo, o Rabbi Chaim Vital, anotou as respostas a muitas questões que surgiram durante seus estudos.

O Ari nos deixou um sistema básico para o estudo da Kabbalah, que ainda é usado hoje. Alguns desses escritos foram Etz haChayim (a árvore da vida), Sha’ar haKavanot (o portal das intenções), Sha’ar haGilgulim (o portal das reencarnações) e outros. O Ari morreu em 1572, ainda jovem. Segundo sua última vontade, seus escritos foram arquivados, para que sua doutrina não fosse revelada antes que chegasse a época certa.

Os grandes Kabbalistas forneceram o método e o ensinaram, mas sabiam que sua geração ainda não seria capaz de apreciar sua dinâmica. Assim, muitas vezes eles preferiram esconder, ou até queimar seus escritos. Sabemos que o Baal haSulam queimou e destruiu a maior parte de seus escritos. É especialmente significativo este fato, de que o conhecimento tenha sido escrito em papel, e a seguir, destruído. O que quer que tenha sido revelado no mundo material afeta o futuro, e é revelado com mais facilidade da segunda vez.

O Rabbi Vital ordenou que outras partes dos escritos do Ari fossem escondidas e enterradas com ele. Uma parte foi entregue ao seu filho, que organizou os famosos escritos, os Oito Portais. Muito mais tarde, um grupo de estudiosos liderados pelo neto do Rabbi Vital retirou outra parte dos escritos do túmulo.

O estudo do Zohar em grupos começou abertamente durante o período do Ari e então, prosperou por dois séculos. No grande período da Chassidut (1750 até o fim do século XIX), quase todo grande rabbi era um Kabbalista. Apareceram Kabbalistas, principalmente na Polônia, na Rússia, no Marrocos, no Iraque, no Yemen e em vários outros países. Então, no começo do século XX, o interesse em Kabbalah enfraqueceu até desaparecer quase completamente.

O terceiro período do desenvolvimento da kabbalah contém um método adicional às doutrinas do Ari, escrito nesta geração pelo Rabbi Yehuda Ashlag, autor do comentário Sulam (escada), sobre o Zohar e os ensinamentos do Ari. Esse método é particularmente apropriado para as almas da geração atual.

O Rabbi Yehuda Ashlag é conhecido como o ‘Baal haSulam’, por causa de sua obra Sulam do Zohar. Ele nasceu em Lodz, Polônia, em 1885; absorveu um profundo conhecimento da lei escrita e oral em sua juventude e mais tarde, tornou-se um juiz e professor em Varsóvia. Em 1921 ele imigrou para Israel com sua família, e tornou-se o rabbi de Givat Shaul em Jerusalém. Ele já estava ocupado em escrever sua própria doutrina quando começou a esboçar o comentário sobre o Zohar em 1943. O Baal haSulam acabou de escrever seu comentário sobre o Zohar em 1953. Ele morreu no ano seguinte e foi enterrado em Jerusalém, no cemitério Givat Shaul.

Seu filho mais velho, o Rabbi Baruch Shalom Ashlag, o ‘Rabash’, tornou-se seu sucessor. Seus livros estão estruturados de acordo com as instruções de seu pai. Eles foram elaborados sobre os escritos do seu pai, de modo a facilitar a compreensão desses comentários para a nossa geração.

O Rabash nasceu em Varsóvia em 1907 e imigrou para Israel com seu pai. Somente após o Rabbi Baruch ter-se casado, seu pai o incluiu no grupo seleto de estudantes da sabedoria secreta da Kabbalah. Logo após ele foi autorizado a dar aulas aos novos alunos do seu pai.

Em seguida ao falecimento de seu pai, o Rabbi Baruch assumiu a tarefa de continuar ensinando o método especial que ele havia aprendido. Apesar de suas grandes realizações, assim como seu pai, ele insistiu em manter um modo de vida muito modesto. Durante sua vida ele trabalhou como sapateiro, operário de construção e balconista. Externamente, ele viveu como uma pessoa comum, mas devotou cada momento livre para estudar e ensinar Kabbalah. O Rabash faleceu em 1991.

O Rabbi Yehuda Ashlag, o Baal HaSulam, é reconhecido como o líder espiritual de nossa geração. Ele é o único nesta geração que escreveu um comentário completamente abrangente e atualizado sobre o Zohar e os escritos do Ari. Esses livros, mais os ensaios do Rabbi Baruch Ashlag, são a única fonte que podemos usar para nos ajudar em nosso progresso.

Quando nós estudamos os seus livros, nós estamos de fato estudando o Zohar e os escritos do Ari, através de comentários mais recentes (dos últimos 50 anos). Essa é uma proteção para a nossa geração, pois nos possibilita estudar textos antigos como se tivessem sido escritos agora, e usá-los como trampolim para a espiritualidade.

O método do Baal hasulam serve para todos, e a sulam (escada) que ele construiu com seus escritos nos assegura que nenhum de nós deve temer o estudo da Kabbalah. Qualquer um que estude Kabbalah pode ter certeza de que dentro de três a cinco anos será capaz de atingir as esferas espirituais, todas as realidades e o divino entendimento, o nome dado ao que está acima e além de nós, e que ainda não conseguimos sentir. Se estudarmos de acordo com os livros do Rabbi Yehuda Ahslag, o Baal haSulam, poderemos atingir a verdadeira correção.

O método de estudo foi construído de modo a despertar em nós o desejo de compreender os mundos superiores. Nós recebemos um grande desejo de entender nossas raízes, como nos conectarmos com elas. Então nós recebemos o poder de melhorar e preencher a nós mesmos.

Todos os três grandes Kabbalistas são a mesma alma, que apareceu primeiro como Rabbi Shimon, numa segunda ocasião como o Ari, e pela terceira vez, como o Rabbi Yehuda Ashlag. Em cada ocasião, tinha chegado a época para uma revelação a mais, porque as pessoas daquelas gerações o mereciam, e essa alma desceu para ensinar o método apropriado para cada geração.

Cada geração é cada vez mais merecedora de descobrir o Zohar. O que foi escrito pelo Rabbi Shimon Bar Yochai e oculto, foi posteriormente descoberto pela geração do Rabbi Moshe de Leon, e depois pelo Ari, que começou a interpretar isto na linguagem da Kabbalah. Esses escritos também foram guardados e parcialmente redescobertos quando chegou a época certa. Nossa geração tem o privilégio de aprender do Sulam, que agora permite a cada um estudar Kabbalah e corrigir-se.

Vemos que o Zohar fala para cada geração. Em cada geração ele se revela mais e é melhor compreendido que na geração precedente. Cada geração abre o livro do Zohar de um modo único, apropriado para as raízes de sua alma especial.

Ao mesmo tempo, é importante que seja feita uma tentativa de reservar os escritos Kabbalísticos, de modo que aqueles que sentem a necessidade de buscar por eles os encontrem por si mesmos. Os Kabbalistas sabem, evidentemente, que o processo de mudança requer duas condições: o tempo correto, e a maturidade da alma. Nós estamos testemunhando uma ocorrência muito interessante, caracterizada pela irrupção e sinalização de uma nova era no estudo da Kabbalah.

Do livro "A guide to the Hidden Wisdom of the Kabbalah", de Rav Laitman, Capitulo 4


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Já falta pouco...




Não são bem férias, pois a responsabilidade é muita, mas a experiência estou certo será fantástica. Próxima 5ªfeira partimos (eu a minha "bubbele") para Nova Iorque. Durante duas semanas vamos ficar no CAMP RAMAH em Berkshires, um dos muitos campos de férias para crianças e jovens judeus, sob a orientação religiosa do Jewish Theological Seminary.

A nossa missão é sensibilizar crianças que têm o tudo o que o Judaísmo pode proporcionar na Big Apple e que tendem a afastar-se da sua Tradição... Cada geração traz uma nova luta pela não assimilação de costumes que não os nossos. A nossa missão é dizer-lhe que têm tudo (escolas, sinagogas, vida comunitária... restaurantes kosher!) para manter a chama acesa e não estão a proveitar. Em contraponto, deste lado do Atlântico, judeus lutaram e lutam contra todas as adversidades para que essa mesma chama não se apague. É essa história que lhes queremos contar. Espero que nos entendam...

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Manuais com erros e preconceitos (parte II)


Relativamente ao tema transcrito neste blog em Janeiro sobre os Manuais Escolares, aqui fica o estudo e o vídeo do programa Fé dos Homens.


A Religião nos Manuais Escolares
Esther Mucznik com a colaboração de Joana Ferreira Ribeiro
(ficheiro PDF)


Fé dos Homens
Programa da Comunidade Israelita de Lisboa
RTP 2 - 02 de Julho de 2007
(ficheiro Real Player)

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Interessante... e fez-me pensar (!)


"Quem é Judeu?"
Por Júlio Silva Cunha, n`O Apaniguado

A lei judaica (halakhá) entende que é judeu, quem seja filho de mãe judia ou que ele próprio tenha-se convertido ao judaísmo.

Esta é a definição clássica que os não-judeus facilmente assimilaram. Contudo, para a lei judaica existem outros requisitos.

Para alguém poder ser considerado como filho de mãe judia, tem que provar que esta última não se converteu a outra religião.

Vamos ver o caso de Karl Marx. A mãe e o pai eram judeus. Antes do nascimento de Marx converteram-se ao luteranismo. Marx foi educado na religião luterana.

Para os judeus e segundo a sua lei, Marx não era judeu. A mãe, antes do seu nascimento, converteu-se a outra religião. Esta questão é essencial pois faz com que os filhos dsessa senhora não possam ser considerados judeus. Um judeu não pode ser judeu-luterano ou judeu-budista ou judeu-muçulmano. A definição faz-se pela adesão a uma única fé.

Por outro lado, temos o caso da vontade pessoal e da conformação identitária do indivíduo; Marx sempre se afirmou como não judeu. Em jovem sempre se considerou como alemão e luterano, mais tarde simplesmente como socialista.

Mesmo que alguém tenha nascido judeu, se ao longo da vida se converter a outra religião, perde esse estatuto. Como dizia o Miguel Castelo Branco, estamos perante uma comunidade que não se fundamenta na raça mas na etnicidade. Etnicidade no sentido helénico - comunidade linguística, religiosa (o mesmo panteão), de valores morais e éticos - o que retira a ideia de raça (na sua dimensão de cor/pigmentação) ao judaísmo.

Povo, enquanto comunidade de valores comuns, mas não de similitude racial. Nesse sentido, o judaísmo sempre foi pluri(racial).

O caso dos filhos de Hertzl é paradigmático do conceito de permanência judaica. Hertzl e a mulher eram sem dúvida alguma judeus. Sobre os filhos de ambos pesou a dúvida que tinham-se convertido ao cristianismo. O Estado de Israel tentou transladar o corpo dos filhos de Hertzl para Israel para poderem serem sepultados num cemitério judeu. Os rabinos chefes de Israel oposeram-se durante décadas a essa transladação enquanto não tivessem provas de que os filhos de Hertzl não se tinham convertido a outra religião.

Qual a razão de ser deste zelo?

Num cemitério judaico só podem ser sepultadas pessoas dessa fé. Os "candidatos" podem ser loiros, negros, verdes ou às bolinhas, o que interessa é que sejam de religião judaica. Se são filhos de judeus, mas converteram-se a outra religião, jã não podem ser sepultados num cemitério judaico ou simplesmente serem considerados como judeus.

A filiação faz-se pela partilha de valores religiosos e morais.

A pergunta para os liberais. A definição da identidade pessoal faz-se pelo próprio, pela tribo ou pela "comunidade nacional"(não judeus)?

Segundo as doutrinas de certos liberais lusos, a definição faz-se pela comunidade nacional. Assim, apesar do próprio Marx não se coniderar como judeu, a religião judaica não o ver como um dos seus, ele é judeu porque a comunidade nacional (os não judeus) assim o entendem.

O nazismo também aproximou-se desta definição - uma vez o sangue poluído por gotas semitas, para sempre judeu seria considerado.

O judaísmo não acredita no conceito puro e estrito do ius saguini, mas os goym (não judeus) acham o contrário! Que fazer?!

COMENTÁRIO por Marco Moreyra:

Artigo muito interessante… Yasher koach!

Achei curiosa a história dos filhos de Theodor Herzl. Já nem me lembrava da polémica. No entanto este tema aliado à tua frase “Num cemitério judaico só podem ser sepultadas pessoas dessa fé.”. Pus-me a pensar na raiz desta lei ou costume. - Qual dos dois!?

Levantou-se-me o exemplo de um não-judeu que participe activamente numa comunidade Judaica e que se identifique com a fé judaica e que ainda assim não se tenha convertido… e noutras questões relativas a casamentos mistos (e não só).

A proibição tradicional de enterrar um não-judeu num cemitério judaico é baseada na halachá (lei judaica). O Talmud proíbe "enterro do mau com o justo" (B. Sanhedrin 47a). Isto é entendido pelos comentaristas mais tradicionais como uma proibição no enterro de judeus e não-judeus (!) no mesmo cemitério. Outra passagem, no entanto, existe que indica que judeus devem enterrar "pagãos" por manter paz (B. Gittin 61a). Rashi, o comentarista mais autorizado no Talmud, determina que é permissível em alguns casos para judeus enterrarem o corpo de um não-judeu, mas não num cemitério judaico.

A proibição de enterrar não-judeus em cemitérios judaicos é observada hoje por judeus Ortodoxos e Conservadores. É uma interpretação que bem é estabelecida séculos sobre muitos. Mas a posição Reformista dá que pensar…

Em 1914, os Rabinos de Reforma determinaram que é permissível enterrar os esposos(as) não-judeus de judeus em cemitérios judaicos. Esta posição é baseada em vários factores: A passagem de Talmud restringindo "enterro do mau" refere-se a criminosos, não a não-judeus (faz sentido). A passagem que apoia o enterro de "pagãos" ao lado judeus parece-se aplicar melhor a interesses contemporâneos e, finalmente, as sepulturas individuais são consideradas sagradas na lei judaica, não um cemitério inteiro (de novo, sentido faz!) -- uma sepultura não afecta a santidade de outra.

Esta posição da Reforma, no entanto, não sanciona ritos não-judaicos de enterro num cemitério judaico nem o ofício do clero não-judeu num cemitério judaico. A maioria das comunidades judaicas reformistas não permite qualquer um.

Enfim, dois judeus… três opiniões!

Nem sou reformista ou liberal como sabes, mas sempre achei que não devemos confundir fundamentos com fundamentalismos. “Cada caso é um caso…” - Sinto-me apaniguado por esta máxima.

Um abraço alfacinha

Kol tuv,
Marco Moreyra

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Fundamentalismos


Cartaz à entrada do bairro ultra-ortodoxo de Meah Shearim em Jerusalem.

Clicar sobre a foto para aumentar.

Imagem via Abrupto


Mensagem 1: Grupos que passam pelo nosso bairro ofendem severamente os residentes. Por favor parem com isso.

Mensagem 2: A Mulheres e Raparigas que passem pelo nosso bairro; POR FAVOR NÃO PASSEM NO NOSSO BAIRRO COM ROUPAS IMODESTAS. Por favor não nos angustiem pela perturbação da santidade e a nossa forma de vida como Judeus comprometidos a D'us e à sua Torah.

Nota do editor: Penso que talvez fosse melhor acrescentarem as penas aplicadas em anexo para informação dos heréticos perpetradores. É por estas e outras que há quem pense que o Judaísmo não é uma religião universal. MAS É! Todos têm as suas ovelhas ranhosas... nós também, infelizmente.

Que estranha forma de vida!

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"A-Ba-Ni-Bi" - Israel 1978 Eurovisão


Grande colheita a de '78!!!

Em 1978 Israel vencem pela 1ª vez o Festival da Eurovisão com este tema interpretado por Izhar Cohen e Os Alphabeta (!).

No ano seguinte Gali Atari e os Milk & Honey (!!!) voltam a vencer com o eterno "Hallelujah" - imortalizado em português pelo António Sala, esse grande maluco.

Finalmente em 1998 o grande... perdão! A grande Dana International venceu o concurso com "Diva" deixando centenas de Haredim (judeus ultra-ortodoxos) loucos. Mas não de orgulho!

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Receita para Shavuot


"Rolinhos de Requeijão"

Ingredientes
250 g de margarina
250 g de requeijão
300 g de farinha de trigo
sal a gosto
200 g de mozzarela

Preparação
Misture todos os ingredientes com excepção da mozzarela até formar uma massa homogénea. Abra-a com rolo e coloque as fatias de mozzarela, uma ao lado da outra. Enrole e pincele com uma gema. Dê cortes da grossura de um dedo e asse em forno moderado por 40 minutos.

CHAG SAMEACH!!!

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Valores oficiais da VOTAÇÃO


Os valores oficiais do JEWISH & ISRAELI BLOG AWARDS foram revelados esta madrugada e esta manhã o meu ego voltou de novo a estar em grande, depois da ressaca da morte na praia do meu Sporting!

O Judaica fm venceu o
prémio de "Best Non-English Jewish Blog" com os seguintes valores:


Quero desde já agradecer a todos aqueles que tornaram possível e a todos os votos de parabéns que recebi nos últimos dias.

Um especial obrigado a...

TODAH RABAH!!!


Kaddish - Uma Mulher de Valor


EISHET CHAYIL - Uma Mulher de Valor

Ficheiro Audio clicar aqui

Interprete: ZALMAN GOLDSTEIN


Nota: Para o meu mais recente amigo Cris que perdeu a sua mãe no passado Shabat. Sabes que podes contar comigo (e de todos na kehilah) neste momento difícil. Um abraço forte...

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As Leis de Shavuot


Shavuot, uma das três Festas da Peregrinação do calendário judaico marca a entrega da Torá ao povo judeu, no Monte Sinai. Celebrada exactamente 50 dias após o primeiro dia de Pessach é também chamada de Zman Matan Torateinu - "A época da entrega de nossa Torá". Shavuot é comemorada durante um dia, em Israel, e dois na diáspora, sempre no 6º dia do mês de Sivan.



Leis e costumes
  • Tikun Leil Shavuot - Noite de vigília e estudo - Na primeira noite de Shavuot, este ano, domingo, 12 de junho, é costume se realizar nas sinagogas uma vigília, que dura toda a noite, dedicada ao estudo da Torá. A Cabalá enfatiza a importância desse ritual, conhecido como Tikun Leil Shavuot. Uma explicação para esta tradição é que o povo judeu não acordou cedo no dia em que D'us lhes iria outorgar a Torá, tendo sido necessário que Ele Mesmo os acordasse. Como uma espécie de contrapartida a essa atitude, foi instituído o costume de se permanecer acordado, estudando a Torá.
  • Primeiro dia - Leitura dos Dez Mandamentos - No dia seguinte, o primeiro dia de Shavuot, este ano, 2ª feira, 13 de junho, ouve-se, em todas as sinagogas, a leitura dos Dez Mandamentos. É da maior importância que os pais participem junto com seus filhos.
  • Segundo Dia - Livro de Ruth - No segundo dia de Shavuot é lido nas sinagogas o Livro de Ruth. Os sábios consideravam a história de Ruth - uma moabita que abraçara o judaísmo - apropriada para a data não apenas por se passar durante a colheita, mas especialmente em razão de seus ensinamentos. Na célebre passagem bíblica, símbolo de profunda devoção e fé, Ruth, após a morte do marido judeu, declara à sogra: "Teu povo será meu povo e teu D'us será meu D'us". Ruth voltou a se casar e seu bisneto foi o rei David, que nasceu e faleceu durante Shavuot.
Nota: Irá decorrer na Sinagoga Ohel Jacob em Lisboa serviço de Arvit com leitura (em português) do Livro de Ruth
  • Plantas Verdes - Em Shavuot é costume enfeitar casas e sinagogas com flores e folhagens. O Midrash relata que quando a Torá foi entregue ao povo judeu, o Monte Sinai - uma montanha deserta e árida - foi repentinamente coberto de flores, árvores e grama. Entretanto, as folhagens simbolizam, acima de tudo, o costume vigente na época do Templo Sagrado, de se levar para Jerusalém as primícias, ou seja, os primeiros frutos colhidos dentre as sete espécies que caracterizam a Terra de Israel.
  • Comidas a base de leite - Outro costume é consumir alimentos derivados do leite, já que a Torá é comparada ao leite. A palavra hebraica para leite é chalav. Quando se soma o valor numérico de cada uma das letras desta palavra chega-se ao total de quarenta. Quarenta é o número de dias que Moisés passou no Monte Sinai. Alem do que a Torá é a fonte de vida para tudo, da mesma maneira que o leite para um recém-nascido. Existem outras explicações para este costume. A partir da outorga da Torá, as leis da cashrut tornaram-se obrigatórias. No entanto, como a Torá foi entregue no Shabat, nenhum animal podia ser abatido e nem os utensílios casherizados.
Fonte: Revista Morashá

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Acabou-se o que era doce?!


Será que os Judeus viciados em chocolate vão ser forçados abandonar alguns dos seus favoritos de sua dieta?

A “Masterfoods” britânica anunciou recentemente que a partir deste mês, irão começar a incluir produtos de origem animal em algumas das suas barras bem populares de chocolate, incluindo Mars, Bounty, Snickers, Twix e M&M's (que também são vendidas em Israel e Portugal).

Os produtos irão conter soro de leite feito de coalho de origem animal. A mudança na composição de ingredientes ultrajou vegetarianos no Reino Unido, que não irão mais poder gozar as barras de chocolate, mas também levantou interesse entre os shomer kashrut (como moi-même), preocupados com a legalidade kosher dos produtos.

Na segunda-feira, o Rabino Levin Ephrain da unidade de kashrut da Corte Rabínica Ortodoxa de Londres publicou uma declaração garantindo aos consumidores Judeus que o novo ingrediente não compromete o kashrut das barras de chocolate, e que a Corte não planeia considerá-lo como não-kosher.

No entanto, o Rabbanut Ortodoxo Israelita parece ter uma posição diferente na edição. "Se usam coalho, então isto é um problema muito, muito sério," afirmou o Rabino Haim Lasri do importante Departamento de Kashrut.

"Já abordamos alguns rabinos no estrangeiro que lidam com a questão, e é possível que o kashrut só será concedido se houver uma alteração destes produtos," – acrescentou.

Vamos lá ver se não vamos ter um amargo de boca!

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