Actualidade e Cultura Judaica por Marco Moreyra



Conversões não-Ortodoxas


De acordo com o jornal "Haaretz" de hoje, onze juizes do Supremo Tribunal de Justiça anunciarão esta Quinta-feira se as conversões não-ortodoxas conduzidas em Israel estarão reconhecidas pelo estado.
O painel judicial que discute o reconhecimento das conversões conservadoras e reformistas é dirigido pelo Chefe do Supremo Tribunal de Justiça, Aharon Barak.

O Supremo Tribunal tem debatido a petição na matéria há já seis anos durante os quais o Ministério do Interior mudou sua posição por diversas vezes.

O Supremo Tribunal emitiu uma decisão de ajuste/precedente em resposta a uma petição arquivada por 17 turistas e pelos trabalhadores estrangeiros que vivem como residentes provisórios em Israel pelo número de anos que procuraram converter-se ao judaísmo.

Estudaram para a conversão em Israel, mas o próprio processo foi conduzido por um determinado número de comunidades judaicas fora de Israel - algumas reformistas, outras conservadoras ainda algumas ortodoxas "modernas".

A petição foi arquivada em 1999. A opinião da maioria dos juizes foi escrita pelo próprio Barak e o Supremo Tribunal indicou um marco na mudança do conceito do "aliyah" - do acto físico de mover-se para Israel para o acto teórico de juntar os povos judeus. "não há nenhuma importância colocada na pergunta de quando um indivíduo que se estabeleça em Israel se transforma num judeu, se antes ou após sua chegada a Israel," escreveu Barak.

Em maio 2004, os juizes emitiram um regulamento decidido por uma margem de sete para quatro, que a lei do retorno se aplicaria àqueles que se convertem ao judaísmo depois que se moverem para Israel. Isto aplica-se se a conversão for conduzida em Israel e também se o indivíduo interessado se submeter a uma conversão numa comunidade judaica da diáspora depois de já estar a viver em Israel. O reconhecimento de acordo com a lei do retorno resolve o dilema do registo pelo Ministério do Interior. O registo da população do Ministério concede automaticamente o cidadania e um pacote dos benefícios aos imigrantes judeus. Não obstante, o governo interino não indicou se tal reconhecimento estaria concedido às conversões não-ortodoxas conduzidas em Israel.

O estado, que submeteu sua posição renovada em Novembro 2004, em que Avraham Poraz era ministro interior, recusou ainda reconhecer o conservadorismo e reformismo nas conversões conduzidas em Israel.

De acordo com a posição do estado, as únicas conversões que podem ser reconhecidas pelo estado são aquelas conduzidas pela Corte de Conversão Ortodoxa.


O Kibutz


Há umas semanas fiquei a saber que um amigo meu vai para Israel viver durante um ano num kibutz, uma vez que para fazer a conversão/retorno em Portugal é preciso tem muito espírito de sofrimento e "poder de encaixe". Assim, decidiu ir de malas e bagagens já este ano para onde se pratica o Judaismo sem as demais vicissitudes do nosso querido Portugal.

Decidi então pesquisar o que é um KIBUTZ e fiquei a saber que por definição, KIBUTZ é: "...uma comunidade voluntária colectiva, predominantemente agrícola, na qual não há bens particulares, e que é responsável por todas as necessidades de seus membros e famílias".

Há quase um século o primeiro (pequeno) grupo de jovens imigrantes judeus da Europa Oriental, inspirados pelos ideais sionistas e socialistas, fundou, nas costas do Mar da Galiléia, a primeira Kvutzá (grupo), nome que mais tarde foi modificado para Kibutz, que significa "COMUNIDADE", quando o número de membros cresceu.

Eles consideravam a kvutzá uma comunidade unida e igualitária, baseada em propriedade comunal dos meios de produção e consumo, onde todos tomavam conjuntamente as decisões, por voto majoritário, e assumiam responsabilidade colectiva.

Apesar dos recessos económicos e do desvanecimento ideológico, o movimento "kibutziano" continua sendo hoje em dia o maior movimento comunitário do mundo!

Cerca de 120.000 pessoas vivem nos 269 kibutzim espalhados por todo Israel (dados de 1998), desde o Planalto do Golan no norte até o Mar Vermelho no sul. O número de membros vai desde menos de cem, e até mais de mil em certos kibutzim; A maioria conta com algumas centenas. Embora cada kibutz seja uma unidade autónoma, social e economicamente, algumas Federações nacionais proporcionam coordenação de actividades, assim como alguns serviços. A maior delas é o Movimento Kibutziano Unido, conhecida geralmente por suas iniciais hebraicas TAKAM, ao qual são afiliados quase 60% dos kibutzim. Cerca de 32% dos kibutzim pertence ao movimento Kibutz Artzi. A terceira Federação é o Kibutz Dati (Kibutz religioso), da qual fazem parte 6% dos kibutzim.
Finalmente, há dois kibutzim ultra-ortodoxo, ligados ao Partido "Poalei Agudat Israel".

A maioria dos kibutzim tem uma estrutura semelhante, com as instalações comunais (refeitório, auditório, escritórios e bibliotecas) no centro, cingidas pelas casas e jardins dos membros residentes, tendo mais adiante as instalações esportivas e educacionais, sendo que os edifícios industriais e os terrenos cultivados ficam na periferia.

Assim resta-me desejar uma óptima estadia ao meu amigo e camarada (isto já é o espirito socialista kibutziano a falar) ahhh ... bem ... ele sabe quem é !...

não sei se ele quer que ande para aqui a divulgar
MAZAL TOV!


Inauguração do museu "Yad Vashem"



Mais de 40 governantes internacionais participaram ontem dos actos inaugurais do Museu do Holocausto construído em Jerusalém, nos quais foram relembrados os horrores sofridos por cerca de seis milhões de judeus nas mãos do regime nazi.

Joschka Fischer, ministro alemão das Relações Exteriores, declarou que seu o país não pode esquecer sua responsabilidade na morte de seis milhões de judeus durante o nazismo. A cerimónia foi acompanhada por centenas de pessoas, entre as quais se encontravam as maiores autoridades políticas de Israel e dezenas de sobreviventes do Holocausto.

Localizado numa das extremidades do monte Herzl de Jerusalém, o novo museu abre suas portas no ano do 60º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A instituição, que custou US$ 40 milhões e levou 10 anos para ser concluída, abriga em suas salas objectos autênticos da Segunda Guerra e da vida judaica na Europa antes e durante o Holocausto. Complementa o Yad Vashem original, que existe desde 1953.

O prédio, apoiado em uma ladeira, é um prisma de cimento armado, projectado pelo arquitecto judeu e natural de Boston (EUA), Moshé Safdie. No seu interior, um corredor com forma triangular e iluminação especial acolhe o visitante, que tem que atravessá-lo em ziguezague para entrar em cada sala.

Entre as salas do novo museu também há uma recriação da rua principal do gueto de Varsóvia, símbolo do confinamento ao qual os judeus foram submetidos e da revolta protagonizada pela resistência em 1944.

No museu também são descritos os massacres contra homossexuais, ciganos, comunistas e as práticas de esterilização levadas a cabo pelos nazis contra aquelas pessoas consideradas mentalmente incapacitadas.

Aqui fica o sitio de internet: www.yadvashem.org

Na sala mais imponente fica a "Sala dos Nomes" onde podemos encontrar o nome do português mais querido do povo judeu, o ENORME Aristides de Sousa Mendes.
Junto ao seu nome e ao de tantos que fizeram parte da História se encontra esta frase me comoveu extremamente:
"... Gostaria que alguém se lembrasse que um dia viveu uma pessoa chamada David Berger."David Berger na sua ultima carta, Vilna 1941

NÓS LEMBRAMO-NOS DAVID


«A Conspiração» de Franck Pierson


Kenneth Branagh interpreta o homem que iniciou o Holocausto (Shoa) durante uma reunião de negócio simples que dura 94 minutos.

Quinze burocratas após apreciarem a sua refeição requintada fizeram então um plano para matar 11 milhões de judeus. A conferência de Wannsee, foi conduzida por Reinhard Heydrich que como o chefe do serviço de segurança do reich, era o braço-direito de Heinrich Himmler, general das SS e da Gestapo.
Estavam também na reunião Adolf Eichmann (brilhantemente interpretado por Stanley Tucci), responsável de assuntos das SS, o Dr. Wilhelm Stuckart (Colin Firth), a secretária do estado do ministério do reich do interior e o co-autor das leis de Nuremberga, que proclamaram a legalidade de uma sociedade e de uma economia de Judeus-livres.
É sem duvida um dos filmes da minha vida e aquele que caracteriza melhor ,sem exemplos de violência física, a frieza e o calculismo de uma nação que se julgava superior.
IMPERDÍVEL!


Bairro judeu em Lisboa



Em Setembro passado, fui de férias a Paris. Escusado será dizer que estava mortinho por visitar o célebre bairro Marais onde membros da comunidade judaica vieram instalar-se. A vida judaica vagueia por toda Paris mas nenhuma com a fixação como a Rue des Rosiers e as ruas circundantes.

Simbolizam, para os judeus assim como para os goy, o bairro judaico de Paris, pitoresco para os turistas e imprimido de nostalgia para muitos Judeus, o Pântano continua emergir da história da diáspora dos judeus emigrados em Paris.

Seria bom que em Lisboa houvesse um bairro judeu. Lisboa precisa e os judeus alfacinhas ainda mais.

Seria bom sair de casa e ter uma charcutaria e um talho casher na porta ao lado. Na esquina uma livraria de cultura hebraica. Em frente a Sinagoga, no fim da rua o museu.

Seria bom, mas... Sinto que a fragmentação entre as comunidades judaicas em Lisboa não irá deixar esse sonho acontecer.

Muitos judeus de carteirinha ainda não aceitam os marranos como seus irmãos, como poderiam viver juntos no mesmo bairro?!


Talvez um dia, quem sabe! Seria bom...


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