Actualidade e Cultura Judaica por Marco Moreyra



Maurycy Gottlieb


"Auto-retrato"
Pintor judeu polaco (1856-1879)


Munique


Em Setembro de 1972, um ataque terrorista sem precedentes desenrola-se perante 900 milhões de telespectadores por todo o globo. Decorria a segunda semana dos Jogos Olímpicos de Verão, em Munique, na Alemanha Ocidental - os jogos que haviam sido apelidados "Jogos da Paz e da Alegria" - quando, sem aviso, um grupo extremista palestiniano, "Setembro Negro", invadiu a Aldeia Olímpica, matando dois membros da equipa israelita e capturando nove elementos como reféns. A tensa espera e o trágico massacre que se seguiu foram transmitidos pela televisão perante uma audiência internacional. Em "Munique", Steven Spielberg fala não só dos trágicos acontecimentos de 1972, mas também da retaliação israelita que se seguiu, designada como "Operação Ira de Deus". Avner é um jovem patriota israelita, oficial dos serviços secretos, que é contactado por um oficial da Mossad. Avner é convidado a abandonar a mulher grávida, abdicar da sua identidade e embarcar como infiltrado numa missão que visa perseguir e matar os 11 homens acusados pela secreta israelita de terem arquitectado o ataque em Munique.


De seguida um artigo de Kirk Honeycutt retirado do HOLYWOOD REPORTER

Com "Munique", Steven Spielberg invade de maneira bem sucedida o território de Costa-Gavras. O filme é uma investigação tensa e provocadora sobre as ramificações políticas, morais e históricas do terrorismo e o esforço para combater esse flagelo.
Embora não falte acção nem intriga em "Munique", Spielberg silencia deliberadamente o tom desses eventos para discursar sobre a ética do contraterrorismo, neste caso, os assassinatos. O problema enfrentado pela Universal Pictures, que co-produziu o filme com a DreamWorks e vai distribui-lo, é duplo. Nos EUA, a empresa deve vender "Munique", filme sem elenco estelar, como uma produção de Spielberg, mesmo sendo o filme menos spielberguiano já feito pelo diretor. No mercado externo, deve vencer as suspeitas de preconceito contra palestinos levantadas por um filme polêmico sobre terrorismo, feito por um realizador judeu-americano. Não se trata disso, mas estamos a falar de aparências aqui.

A trama aborda os acontecimentos posteriores ao sequestro e assassinato de 11 atletas israelitas durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. A história, escrita por Tony Kushner e Eric Roth (baseada no livro "Vengeance" de George Jonas), segue a acção de uma equipa secreta de cinco homens, baseadas na Europa, para rastrear e matar 11 palestinianos suspeitos de planear o ataque na cidade alemã. O evento de Munique é mostrado em flashbacks durante todo o filme, como o pesadelo recorrente que instiga e assombra o líder da unidade israelita.
Eric Bana faz o papel de Avner Kauffman, agente do Mossad e ex-guarda-costas da primeira-ministra israelita Golda Meir. Ele é escolhido pessoalmente por Meir (Lynn Cohen num óptimo trabalho) para liderar os assassinos. O segredo em torno da missão é tanto que o agente é obrigado a pedir demissão do emprego, abandonar a esposa grávida (Ayelet Zurer) e agir sem o conhecimento e a supervisão de seus chefes, principalmente Ephraim (Geoffrey Rush). A equipa de assassinos é heterogénea. O sul-africano Steve (Daniel Craig) talvez esteja ansioso demais para matar. O meticuloso belga Robert (Mathieu Kassovitz) é o responsável por armar as bombas. O judeu alemão Hans (Hanns Zischler), cuja fachada é um antiquário, mostra ser um excelente falsificador de documentos. Já Carl (Ciarán Hinds) tem como missão assegurar que os alvos estejam desimpedidos e não haja danos colaterais.

No início, a história passa-se no mundo da intriga internacional e da vingança melodramática. Gradualmente, porém, um sentimento de desconforto toma as cenas mostrando a equipe liquidando suas presas. As vítimas não são o que se poderia esperar: um escritor estudioso em Roma, que traduz literatura árabe para o italiano, um professor bem-conceituado em Paris, vivendo uma confortável vida burguesa com sua a família. Alguns assassinos percebem que não há uma única prova ligando esses alvos ao ataque em Munique. Certamente, hoje em dia ninguém precisa ser lembrado de como as garantias de um governo e as informações de agências de inteligência podem se mostrar erradas e desonestas. Na verdade, um novo livro sobre a vingativa resposta de Israel ao episódio de Munique alega que os israelenses mataram muitos homens errados.

"Todo esse sangue vai voltar para nós", reclama um dos assassinos. A consequência involuntária é que esses homens passam a ser assombrados por suas próprias acções sanguinolentas. Pior, pode-se argumentar que com esses actos ilegais Israel perde seu sentido de rectidão. Como alguém poderia, agora, diferenciá-los de seus inimigos? Há ainda outro preço. Para cada morte, o Setembro Negro, grupo terrorista por trás do ataque em Munique, revida com actos ainda mais terríveis. Por fim, os caçadores viram a caça, quando os membros da equipe de Avner começam a ser mortos um a um. O contexto político aparece em uma sequência em que Avner discute a questão palestina com um terrorista palestiniano, que desconhece a verdadeira identidade do seu interlocutor. Nessa discussão calma, torna-se evidente que duas tribos reclamam a mesma terra com igual paixão, e cada uma tem queixas genuínas contra a outra. Os dois lados estão dispostos a responder aos actos de violência com mais actos de violência, perpetuando um ciclo mortal que nunca cessará sem a intercessão de pacifistas, um grupo que era, e é, pequeno no Oriente Médio.

Spielberg mostra os assassinatos maximizando o suspense, sem recorrer a truques elaborados de cinema. Mortes e tiroteios são bagunçados, até mesmo malfeitos. Os personagens são comuns mortais com pouca ênfase no heroísmo. A principal preocupação de Avner é sua mulher e filha, a quem ele transferiu de Israel para Brooklyn a fim de poder visitá-las ocasionalmente.O estilo retro do director de fotografia Janusz Kaminski move o filme para a escuridão, com cores mais perturbadoras conforme os assassinatos continuam. A edição de Michael Kahn consegue construir o suspense nas sequências individuais à maneira de Hitchcock. O filme termina com dois homens seguindo direcções contrárias em Brooklyn. As torres gêmeas do World Trade Center dominam a paisagem atrás deles.


R'fuah shleimah


אמי חולה מאוד ונמצאת בבית החולים. אבקשכם להתפלל עמי עבור החלמתה המהירה.שמה מריאנה נונש (בעברית, מרים בת יוסף ואלזירה).אני מודה לכם ומקווה ומאמין שאלוהים ישמע לתפילותינו.

Faz algum tempo que o meu blogger preferido (Nuno Guerreiro) não tem premiado os seus assíduos leitores com os seus artigos super-interessantes. Facto que se deve, principalmente, à frágil saúde da sua mãe nestes últimos tempos, e que lhe roubou a disponibilidade privando-nos da actualidade judaica como só ele sabe divulgar.

Rezo pelas suas rápidas melhoras ...
R'fuah shleimah


Hamas vs. Fatah



A vitória do Hamas nas legislativas palestinianas simboliza o afastamento do Fatah do poder, onde estava instalado há 10 anos. um autêntico assalto ao parlamento palestiniano.

O movimento radical islâmico realizou um autêntico assalto ao parlamento ao conquistar 76 dos 132 assentos do Conselho Legislativo, contra 43 conquistados pelo Fatah. Uma maioria absoluta festejada à porta do parlamento por cerca de três mil militantes.

No entanto, a festa degenerou quando um desses militantes colocou a bandeira do Hamas ao lado da palestiniana. Membros e simpatizantes do Hamas e do Fatah trocaram alguns tiros e pedras ferindo dois deles. Estes confrontos são o primeiro exemplo da tensão que esta esmagadora vitória do Hamas provocou entre as duas facções.

Visto como um dos grandes responsáveis por este resultado eleitoral, Mahmud Zahar poderá vir a ser o próximo primeiro-ministro palestiniano. Membro fundador do Majmaa el-Islami, que deu origem ao Hamas, é um dos mais ferozes adversários do Fatah. O seu filho foi morto em Setembro de 2003 e Zahar ficou ferido, num ataque israelita contra a sua residência.

A chegada ao poder do Hamas é vista como um autêntico revés para o processo de paz no Médio Oriente e provocou um autêntico tremor de terra no xadrez político da região que já cair algumas peças-chave da OLP.


Dia Mundial da Lembrança do Holocausto


A Assembléia Geral das Nações Unidas em Novembro passado instituiu o dia de 27 de Janeiro como o Dia Mundial da Lembrança do Holocausto. A data é uma homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas do exterminínio nazi.

Vários países, incluindo Grã-Bretanha, Itália e Alemanha, já consideravam 27 de Janeiro o dia da memória das vítimas do Holocausto pois foi nessa data, em 1945, que as tropas soviéticas libertaram o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia.

A resolução, proposta por Israel, foi co-patrocinada por outros 104 países e aprovada por consenso (sem necessidade de votação).

O texto da resolução rejeita qualquer questionamento de que o Holocausto foi um evento histórico, enfatiza o dever dos Estados-membros de educar futuras gerações sobre os horrores do genocídio e condena todas as manifestações de intolerância ou violência baseadas em origem étnica ou crença.


L'hitraot


Procurei no dicionário o significado da palavra amigos e encontrei:

Substantivo masculino plural
1. aquele que que tem com alguém uma relação de amizade;
2. partidário; simpatizante;
3. aliado; companheiro;
Adjectivo
1. afeiçoado;
2. aliado;
popular - amigo do peito: muito amigo; amigo íntimo;


Eu não costumo gostar muito destas definições e prefiro chamar-lhes irmãos escolhidos por mim.

É com muita dor e pena que vejo partir dois dos melhores; Naomi e Sérgio... mas afinal devo ficar feliz por eles, a Naomi estará brevemente de regresso à sua Home sweet Home na promissed land (California) e o Sérgio estará ao lado da mulher que ama num país onde pode praticar e viver o judaísmo sem os acidentes de percurso lusitanos!

Resta-me esperar ansiosamente pelo seu regresso no final de Março pois as saudades já começaram a fazer das suas!

L’hitraot
P.S.: Pelo sim pelo não é melhor não passar à porta de uma gelataria Ben & Jerrys ou ver um episódio dos Monthy Piton para não tern nenhum ataque de nostalgia!!!
P.S 2: LIGUEM O MSN pleeeeease...


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  • "O risco de uma decisão errada é preferível ao terror da indecisão" MAIMONIDES
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