Actualidade e Cultura Judaica por Marco Moreyra



“Judeus” Messiânicos - O paradoxo bíblico (parte I)


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Em resposta a esta farsa (clique para ler) prestes a instalar-se em Trancoso pretendo com uma série de "posts" esclarecer os demais leitores sobre o fenómeno messiânico...

Muitas pessoas ficam confusas com os argumentos dos “judeus” messiânicos e desconhecem a resposta judaica às seguintes afirmações dos mesmos:

1) É possível para os judeus e marranos manterem a sua identidade judaica mesmo após se converterem ao “judaísmo” messiânico.

2) A Bíblia Judaica está repleta de referências proféticas a Jesus.

3) Salvação espiritual e relacionamento pessoal com Deus são possíveis somente através de Jesus.

4) Há milagres que “provam” a validade do Cristianismo.

5) A crença cristã na Trindade Divina é compatível com o Judaísmo.

Esperamos que ao examinar-se cada uma destas questões e a resposta judaica correspondente, a posição do Judaísmo seja claramente compreendida.

É possível para os Judeus e Marranos manterem a sua identidade judaica após se converterem ao “Judaísmo” Messiânico?!

No seu intento de converterem judeus, os missionários messiânicos afirmam que uma pessoa pode continuar a ser judeu enquanto pratica o Cristianismo. O uso de terminologias como “judeu messiânico”, “cristão hebreu”, e “judeu para Jesus” é apenas uma tentativa enganosa de apresentar os judeus convertidos como judeus.* Na verdade, os missionários chegam ao extremo de afirmar que um judeu que aceita Jesus (ou Yeshua” , como o chamam) é um “judeu completo”, implicando obviamente que todos os outros judeus são incompletos. A adulteração e a fraude empregadas nestas tentativas de disfarçar a seriedade de uma conversão de um judeu ao Cristianismo se reflecte similarmente no amplo uso distorcido de símbolos e costumes judaicos,* na fabricação de textos judaicos e na falsa apresentação de “bagagem” e educação judaica de muitos “judeus” messiânicos.

Numerosos líderes “judeus” messiânicos desonestamente referem-se a si mesmos como “rabinos” e aos seus locais de culto como “sinagogas”. Estas tácticas são empregadas numa tentativa de tornarem sua versão do Cristianismo mais palpável para os judeus e marranos que pretendem converter. Entretanto, nas palavras de um dos inúmeros grupos cristãos que condenam a “Cristandade Hebraica”, “... estas técnicas proselitistas são similares às conversões forçadas e devem ser condenadas”. (de uma declaração formal emitida pela Conferência Interreligiosa da Washington Metropolitana, D.C.)


A Resposta Judaica


O facto continua a ser que, apesar destas tentativas superficiais de soarem judaicos, termos “cristão hebreu”, “judeu messiânico” e “judeus para Jesus” são paradoxos absurdos e uma contradição teológica. Os assim chamados “judeus” messiânicos argumentam que uma pessoa que nasceu judia jamais poderá perder seu direito de nascença ou herança. Entretanto, a Bíblia ensina que as suas crenças sim influenciam seu status judaico e que uma pessoa que nasceu judia pode em certo momento parar temporariamente de ser chamada de judia.

No Livro dos Reis, o profeta Elias é enviado para repreender aqueles judeus que estavam idolatrando um deus estrangeiro chamado Baal. Em Reis I, 18:21, Elias diz a eles, “Até quando vocês vão pender entre duas opiniões? Se Hashem é Deus, sigam a Ele; mas se for o Baal, então sigam a ele”. Em outras palavras, ou vocês são judeus ou são seguidores do Baal; não podem ser ambos. A história termina com os judeus renunciando a seus caminhos idólatras e retornando ao Judaísmo.

Daqui nós tiramos uma importante lição. Um Judeu que segue outra religião é judeu apenas até o ponto em que mantém uma obrigação espiritual de se arrepender e de retornar ao Judaísmo. No entanto, enquanto suas crenças forem idólatras e estranhas ao Judaísmo, ele não pode chamar-se judeu (obviamente, um judeu não praticante é diferente de um judeu que decidiu trilhar um caminho estranho). A Torá ensina que aos judeus e aos não-judeus foram dados caminhos diferentes para chegarem até Deus. Um judeu é obrigado a seguir a Torá enquanto um não-judeu deve observar as Sete Leis dos Filhos de Noé.** Um grupo não é melhor do que o outro, mas meramente diferente. Por isto, certas crenças e práticas, como comer porco, são permitidas aos não-judeus, mas não aos judeus. As crenças cristãs referentes a Deus, salvação e Messias são proibidas para os judeus. É por isso que os termos “judeus messiânicos”, “cristãos hebreus” ou “judeus para Jesus” são uma
contradição.


* Os Manuais de treino de Missionários Messiânicos estimulam o uso das expressões “crente, temente” ao invés de “cristão”, “Messias” ao invés de “Cristo”; “árvore” ao invés de “cruz” e “Novo Pacto” ao invés de “Novo Testamento”, para promover uma mensagem que soe mais judaica.

** Na sua tentativa de justificarem sua judaicidade, certos “cristãos hebreus” tacharam o Judaísmo rabínico como sendo um culto, haja vista que afirmam que ele “segue as palavras de homens e não de Deus”. Além de falsa, esta alegação também é hipócrita: “cristãos hebreus” utilizam estas mesmas tradições rabínicas para aparentarem suas práticas com aspecto de “judaicas”.

Escrito e compilado pelo Rabino BenTzion Kravits.
Adaptação: Marco Moreyra

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