Actualidade e Cultura Judaica por Marco Moreyra



Os Judeus Portugueses de Amsterdão (parte IV) - última


A "Idade de Ouro"

Seria uma inverdade dizer que os "Homens da Nação" foram os responsáveis pela Idade de Ouro holandesa, mas é incontestável sua importante contribuição à expansão comercial desse país. Ademais de terem trazido capital financeiro, trouxeram sua habilidade comercial e sua vasta rede de contactos, que se estendia pelos quatro cantos da terra.

Em decorrência de seu empenho e dedicação, aliados a um contexto económico favorável, conseguíram construir fortunas que os ajudaram a erguer uma florescente comunidade. De uma participação relativamente modesta, no início do século 17, logo adquiriram importância no comércio internacional. Destacaram-se na importação de tabaco, seda e pedras preciosas, principalmente na lapidação e comercialização de diamantes, ramo relativamente novo, livre das restrições impostas a outros sectores por guildas monopolizadoras. Os judeus portugueses de Amsterdão desenvolveram o complicado processo de aquisição da matéria-prima da Índia e do Brasil. Dispunham, também, de suficiente estrutura comercial para abrir mercado para um produto praticamente novo, o açúcar.

Após a invasão de Pernambuco pela Companhia das Índias Ocidentais, em 1630, uma leva de judeus deixou Amsterdão rumo ao Recife. Lá, em 1636, fundaram a primeira sinagoga das Américas. Vinte anos mais tarde, quando os portugueses expulsaram os holandeses do Brasil, junto se foram os judeus. Com a experiência adquirida em Pernambuco, ao retornar a Amsterdão contribuíram ativamente para a transformação da cidade em principal centro mundial do refino e comércio açucareiro.

"Pergaminho com os 10 Mandamentos"
1768, Sofer de Jekuthiel

Esnoga, Biblioteca Rosenthaliana de Amsterdão


Integração e conflitos

Os judeus se misturaram à comunidade holandesa. Viviam lado a lado com personalidades famosas, como Rembrandt; seus rabinos eram respeitados pelas autoridades e membros mais ilustres da sociedade. Sob o ângulo da economia, eram fundamentais para o funcionamento da Bolsa de Valores de Amsterdão. Diz-se, até, que no Shabat a Bolsa não operava. Além de grandes comerciantes, foram os principais financiadores das Companhias das Índias Ocidentais e Orientais. Apesar de sua total integração à vida económica e social local, os "Homens da Nação" estabeleceram uma comunidade ortodoxa, extremamente comprometida com as Leis e ensinamentos judaicos. Tinham, garantida por legislação, relativa autonomia na administração interna dos assuntos comunitários. Determinavam portanto, suas próprias regras na solução das disputas comerciais ou privadas; e possuíam suas próprias instituições e entidades beneficentes.

Prósperos e influentes, eram, quase sempre, comerciantes, médicos ou intelectuais. Nas primeiras décadas do século 17, surgiram no seio da comunidade os primeiros estudiosos e rabinos - entre eles, os renomeados rabinos Isaac Aboab da Fonseca e Menasseh Ben Israel - erudito, escritor, diplomata e fundador da primeira tipografia hebraica nos Países Baixos. Médicos famosos, como Joseph e Ephraim Bueno, cuidavam das maiores autoridades da República. Alguns dos mais ricos comerciantes de Amsterdão eram judeus portugueses, entre eles Abraham Pereira e seus filhos. Comprometido por inteiro com o judaísmo, Pereira era um dos grandes sustentáculos da vida comunitária. Outro deles, Isaac de Pinto, conselheiro do William de Orange IV e accionista da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, fundou a sinagoga da Congregação Bet Israel, a qual sozinho financiou, até sua morte.

A vida e o trabalho destes homens foram característicos de muitos outros que tinham orgulho de se declararem, abertamente, "portugueses da Nação Hebraica". Homens tão importantes no seio da sociedade holandesa, que, durante muito tempo, foram sinónimos os termos "português" e "judeu".

A criação de uma nova comunidade não se faz sem conflitos, principalmente com uma trajectória tão sofrida como a vivificada pelos judeus ibéricos. Amsterdão se tornara local onde os conversos tinham a oportunidade de assumir livremente o judaísmo; o governo não os impedia e as instituições judaicas lhes davam todo o apoio, se necessário. Mas a retomada da prática religiosa era um processo difícil, que muitos não suportaram. Enquanto os primeiros a chegar a Amsterdão tinham raízes judaicas mais profundas, as levas subsequentes eram bem menos comprometidas, tendo apenas conhecimentos rudimentares - e se defrontaram com uma sociedade extremamente tradicional e praticante. Nem todos tiveram a força e a perseverança necessárias. Alguns não conseguíam "despir-se" da prática de conversos e assumir sua identidade judaica; havia também os oportunistas que viam a volta ao judaísmo como passaporte para bons negócios. Alguns desistiam e voltavam, desiludidos, aos países de origem.

Houve casos famosos de judeus que, ao expor ideias contrárias às principais crenças do judaísmo, foram colocados em "chérem", isto é, foram banidos da comunidade. Entre estes, Uriel da Costa e Baruch Spinoza. Um dos maiores racionalistas da filosofia moderna, Spinoza, filho de um abastado converso português, é banido, no verão de 1656, por defender ideias totalmente contrárias aos ensinamentos judaicos, que apregoavam que "D's era o mecanismo imanente da natureza e do universo" e a "Torá, uma obra metafórico-alegórica"!

O fim da Idade de ouro

Em 1675, quando a magnífica Esnoga foi inaugurada, havia cerca de 2.500 sefaraditas vivendo na cidade; aproximadamente 2.000 asquenazitas e 500 lituanos, somando cinco mil judeus, em meio a uma população de 200 mil habitantes.

As duas últimas décadas do século 17 são consideradas o auge da abastada comunidade judaica sefaradita de Amsterdão, cuja influência podia ser facilmente vista em Hamburgo, Londres, Curaçao, Suriname e Nova York.

Mas, pairavam mudanças no ar. Chegava ao fim a "idade de ouro" da Holanda, levando consigo a época áurea da comunidade judaica portuguesa local. Com a perda de sua posição de principal nação marítima e comercial do mundo, a Holanda entra, no século 18, em período de séria estagnação.

A comunidade sefaradi perde a sua pujança, mas não abandona seus costumes e tradições. Até hoje, rezam constritos na esplendorosa Esnoga, em Yom Kipur, à luz de mil velas...

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Bibliografia

Kaplan, Yosef - Les Nouveuaux-Juifs D´Amsterdam, The Esnoga, a Monument to Portuguese-Jewish Culture,1991, Ed. D'Arts Amsterdam Gottheil, Richard e Seeligmann, Sigmund , Amsterdam, JewishEnciclopaedia.com

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Um herói no massacre da Virgínia


Liviu Librescu, um reconhecido académico israelita que trabalhava na Universidade Politécnica da Virgínia, tentou impedir o homem que na segunda-feira matou 32 pessoas no centro, mas não conseguiu e acabou por ser morto. "Ouvi que tentou fechar as portas para impedir o agressor, mas ele atirou", relatou Ayala Librescu, nora do professor, ao jornal Yedioth Ahronoth.

Segundo Arieh, um dos filhos do académico, o assassino atirou sobre ele "através da porta" quando tentava bloquear o acesso à sala de aula, o que permitiu aos alunos escapar pelas janelas. "Quando estes viram que ele não saiu pela janela, compreenderam o que tinha acontecido", acrescentou.

Librescu, 75 anos, leccionava na Faculdade de Engenharia e Mecânica, onde a maioria das vitimas morreu. Sobrevivente do Holocausto nazi, o académico era natural da Roménia e emigrou a Israel na década de 70, graças à intervenção pessoal do então primeiro-ministro israelita Menachem Begin.

Após dar aulas vários anos em duas universidades israelitas, Librescu foi em 1984 aos Estados Unidos para um ano sabático, mas acabou se radicando no país. "Gostava muito do que fazia, era sua Paixão", afirmou sua nora.

A família confirmou que pediram a repatriado do corpo para que possa ser enterrado em Israel. O presidente da Universidade de Haifa, Arroz Be Ze'ev, afirmou em comunicado que os incidentes na Virgínia "lembram a importância de educar toda a sociedade na tolerância e na santidade da vida".

Ben Ze'ev enviou uma mensagem de pêsames ao presidente da Universidade Politécnica, Charles Steger, no qual expressou que "os estudantes e académicos da Universidade de Haifa estão horrorizados pelo trágico incidente".

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Renasce a "Nação Portuguesa"

Em 1606, os "Homens da Nação", liderados por Tirado e pelo rabino Moshe Uri Halevi, fundaram a Congregação Bet Yaacov. Dois anos mais tarde foi fundada outra, a Neve Shalom. As duas congregações prontamente criaram instituições benemerentes que ofereciam auxílio e empréstimos a necessitados, educação judaica, ajuda para dotar moças para o casamento, sustento para órfãos, doentes e enterro dos desfavorecidos. Criaram também um fundo para pagar o resgate de judeus presos. Há registros, do ano de 1610, sobre o primeiro contrato de abate de carne casher.

Documentos comerciais da época mostram que, apesar de haver inúmeros espanhóis, a maioria dos membros das congregações era constituída de portugueses. Até hoje, os costumes da comunidade reflectem sua origem. Todos os avisos, assim como a Oração pela Casa Real, são realizados em português.

Após gerações, renascia a "Nação Judaica Portuguesa", forte e vibrante. Forte se tornara, também, a necessidade de expressar abertamente sua religião, algo que as autoridades relutaram em aceitar. Em 1612, negaram à comunidade a permissão de erguer uma sinagoga. As duas congregações passam, então, a alugar casas, transformando-as em casa de oração. O primeiro reconhecimento oficial ocorreu em 1614, quando a comunidade recebeu autorização para comprar uma área para construção de um cemitério, em Ouderkerk, nos arredores da cidade. O campo santo, até então, situava-se em local bem afastado de Amsterdão. E, em 1616, foi estabelecido o Talmud Torá, responsável pela educação judaica dos membros da kehilah.

O que ainda faltava era uma definição clara de seu status legal perante as autoridades holandesas. Apesar de não haver grande entusiasmo da Igreja Reformada pela presença dos judeus, a municipalidade de Amsterdão estava mais do que satisfeita. Os judeus se haviam tornado indispensáveis para a economia local.

Em 1616, a República holandesa encarregara a Hugo Grotius, o maior jurista da Europa, conhecido como o "pai da legislação internacional", a produção de um instrumento jurídico que definisse o status legal dos judeus em seu território. Entre suas conclusões, Grotius reafirmara que a presença dos judeus era desejável e deviam ter liberdade para praticar sua religião, não sendo obrigados a usar roupas especiais. A República, então, delega as decisões relativas à presença judaica aos respectivos governantes de cada cidade. Impunha, no entanto, algumas condições. Por exemplo, não era facultado aos judeus ocupar cargos no governo, como tampouco o era a quem não fosse da Igreja Reformada. Não podiam tentar converter os cristãos, nem com eles casar ou ter filhos.

Em 1618, uma disputa na comunidade Bet Yaacov leva à criação de uma terceira congregação portuguesa, a Bet Israel. Somente 20 anos mais tarde, em 1639, as três congregações sefaraditas se consolidariam, criando a Talmud Torá. A espaçosa sinagoga Bet Israel, na rua Houtgracht, foi escolhida como sendo o lugar de culto da congregação unificada. Ampliada, recebeu uma elegante fachada, com imponentes colunas. Gravuras da época retractam seu rico interior e exterior. Foi usada como principal centro de culto até 1675, quando foi inaugurada a Esnoga. A partir de então foi destinada a outras actividades comunitárias, até ser demolida, em1931.

O número de judeus e sua importância cresciam, em Amsterdão. A cidade se tornara abrigo para grandes massas asquenazitas vindas da Alemanha e de países da Europa Oriental. Em 1635, os judeus asquenazim fundam sua própria congregação e inauguram, em 1671, a Grande Sinagoga, também chamada de Shul. O edifício faz parte, atualmente, do Museu Histórico Judaico de Amsterdão. Em 1675 foi inaugurada, na frente do Shul dos asquenazim, a magnífica Sinagoga Portuguesa de Amsterdão, a Esnoga, até hoje usada como local de orações. Estas duas imponentes sinagogas formavam o coração do maior complexo de sinagogas do mundo. Nunca antes, na Diáspora, os judeus tiveram a permissão de construir templos tão monumentais e tão visivelmente identificáveis. Algo ainda mais surpreendente é o fato de que, até meados do século 18, os católicos da cidade eram obrigados a realizar seus serviços religiosos em residências.

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Bibliografia

Kaplan, Yosef - Les Nouveuaux-Juifs D´Amsterdam, The Esnoga, a Monument to Portuguese-Jewish Culture,1991, Ed. D'Arts Amsterdam Gottheil, Richard e Seeligmann, Sigmund , Amsterdam, Jewish Enciclopaedia.com

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"Isaac" de Madonna


"Isaac" Madonna - Confessions Tour


Im ninalu daltey Nedivim
daltey Nedivim
Daltey Marom

English translation:
[If doors of generous men are locked, Doors of heaven]

Staring up into the heavens
In this hell that binds your hands
Will you sacrifice your comfort
Make your way in a foreign land

Wrestle with your darkness
Angels call your name
Can you hear what they are saying
Will you ever be the same


Mmmm mmm mmm
Im Nin'alu, Im Nin'alu
Mmmm mmm mmm
Im Nin'alu, Im Nin'alu

English translation:
["If they are locked"]

Remember, remember
Never forget
All of your life has all been a test
You will find the gate that's open
Even though your spirit's broken

Open up my heart
Cause my lips to speak
Bring the heavens and the stars
Down to earth for me

Wrestle with your darkness
Angels call your name
Can you hear what they are saying
Will you ever be the same

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Itália Homenageia Primo Levi


Com uma exposição, leituras, programas de rádio e um concerto, a Itália homenageia Primo Levi, sobrevivente e grande testemunha do holocausto, que se suicidou em 11 de Abril de 1987, mais de 40 anos depois de seu retorno dos campos de extermínio nazis.


A sua principal obra, "É isto um Homem?", publicada em 1947 na Itália, depois de sua volta do campo de concentração de Auschwitz, foi traduzida para trinta idiomas e ainda se vende à razão de 200.000 exemplares ao ano no Brasil, onde integra o programa escolar.

No entanto, a Einaudi, grande editora de Turim, cidade natal de Levi, rejeitou o livro, que acabou por ser publicado por uma pequena editora que só vendeu 1.500 exemplares.

A partir de 17 de abril, Turim será a sede da exposição "Primo Levi, porque é um homem".

A mostra será apresentada simultaneamente na cidade francesa de Lyon e tem como objectivo divulgar as múltiplas facetas de Primo Levi, frequentemente reduzido ao papel de testemunha e a quem a crítica negou por muito tempo o título de "escritor".

Não se tornou um escritor pela sua experiência em Auschwitz. Antes, já queria escrever, mas não tinha identidade literária. "A dupla escritor-testemunha complica sua obra, tornando-a mais rica", explicou Marco Belpoliti, encarregado das obras completas de Levi na Einaudi e autor de um programa de dez episódios para a Rádio Pública Italiana (RAI).

A exposição consiste de painéis cujos tons se misturam e transformam, numa alusão à profissão de químico que permitiu a Levi escapar da morte, trabalhando em um laboratório do campo de concentração.

A sua profissão também serviu de inspiração para "A Tabela Periódica", no qual o autor associa episódios de sua vida aos elementos químicos, bem como para seu único texto inédito actualmente, "A dupla relação", composto por cartas escritas a uma mulher.

Escreveu também poemas que inspiraram o compositor espanhol Luis de Pablo para criar uma obra que será interpretada na quinta e na sexta-feira pela orquestra da RAI, em Turim.

O historiador Walter Barberis animará, em Turim, uma noite de leituras do livro "Náufragos e Sobreviventes" (1986), últimas reflexões sobre a deportação, no qual o autor evoca o risco de que se repita um genocídio como o praticado pelos nazis.

Profundamente laico, nascido em uma família que praticava pouco, Levi teve consciência de ser judeu quando se promulgaram as leis raciais de 1938.

"Não compreendi e associava a palavra judeu - "ebreo", em italiano - à palavra livro", contou ao jornal La Stampa, semanas antes de se lançar no vão de uma escada em sua casa, em Turim.

"Não estou tão vivo como para me suprimir", escreveu no livro "É isto um Homem?", escrito quando tinha 27 anos.

O seu suicídio provocou grandes interrogações.

Walter Barberis não acredita que sua morte estivesse relacionada com a deportação. "Estava deprimido por razões particulares, doente e convencido de que tinha pouco tempo de vida", afirmou.

Levi também havia dito que "ninguém pode compreender as razões de um suicida".


Fonte: Honest Reporting (Brasil)

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Yom HaShoa - 15 de Abril


Felix Nussbaum
"Auto-retrato com passaporte judeu", 1943

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Ainda sobre Carção...


Adaptação da oração do Pai Nosso, rezada pelos cristãos-novos de Carção, no século XX:


Senhor, que estás nas altas alturas,
Por Vossos altos favores,
Vos chamam os pecadores:
Padre Nosso
,
A Vós, Senhor, como posso
O Vosso Nome invocarei,
Pois, de certo, eu bem sei
Que estais nos céus;
Amparai, Senhor, um réu,
Que muito ver-Vos deseja,
Que o Vosso nome seja,
Santificado
,
Eternamente sejais louvado
Por tais modos;
A uma voz digamos todos:
Seja
,
Do dizer ninguém se peja,
Nem o mais de Vos louvar;
Só deve triunfar
O Vosso nome
...2

2 Amílcar Paulo, Os judeus secretos em Portugal, ed. Labirinto, 1985, pp. 98-99; David A. Canelo, Os últimos criptojudeus em Portugal, Belmonte, 1987, pp. 154-157.

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Brasões há muitos... mas nenhum como este!


Carção, freguesia pertencente ao concelho de Vimioso, situa-se no nó de convergência entre as aldeias de Argozelo e Santulhão, e é passagem obrigatória para quem se dirige à sede de concelho, da qual dista dez quilómetros. A sua área de 27,61 quilómetros quadrados tem por limites as freguesias de Argozelo, Pinelo, Vimioso, Santulhão e terras do concelho de Bragança. Não tem anexas, mas outrora compreendia cinco casais no Rio Maças e onze moradores na Quinta da Veiga.

(!!!)

Nesta altura, vocês perguntam: "E então, que tem isso de extraordinário?!"

e eu digo: "Nada! Mas é melhor ver o brasão da aldeia clicando aqui"



e vocês dizem: "Ahhhhhhhh!!!"


Cortesia do Sr. Miguel Vaz (Museu Judaico de Belmonte) - enviado para o email da Comunidade Judaica Masorti de Lisboa "BEIT ISRAEL"

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Conversos estabelecem-se

Amsterdão foi fundada no século 13. Sabe-se que, durante a Idade Média, havia na região algumas comunidades judaicas, mas, expulsões e perseguições, principalmente por volta de 1349, tinham posto fim à vida judaica local. Somente após a criação da República da Holanda, atraídos pela tolerância religiosa e oportunidades económicas, os conversos portugueses começam a estabelecer-se na florescente cidade.


Cemitério português "Beth Haim"

Há relatos sobre a chegada de várias famílias proeminentes em 1593. Instalaram-se em Vlooienburg, ilha no rio Amstel, que, mais tarde, ficaria conhecida como o "bairro judeu". Ansiosos para voltar ao judaísmo e dispostos a reaprender e a seguir as Leis judaicas, os recém-chegados mandam trazer para Amsterdão o rabino Moshe Uri Halevi, de Emden. O rabino torna-se peça- chave nesta volta dos conversos ao judaísmo. Imediatamente circuncisa os homens, entre os quais, Jacob Tirado, um dos grandes líderes entre os "Homens da Nação". Começam a se organizar serviços religiosos nas residências, usando um Sefer Torá que o rabi Moshe trouxera consigo. Ainda hoje, este Sefer constitui evidência tangível dos primórdios da vida comunitária dos judeus portugueses de Amsterdão.

São escassos os registros sobre os primeiros anos. Acredita-se que, em 1596, dezasseis judeus portugueses se tenham reunido na casa de Don Samuel Palache, embaixador marroquino, com o intuito de celebrar Yom Kipur. No ano seguinte, o converso português Emanuel Rodriguez Vega torna-se cidadão de Amsterdão. E, a partir de 1598, as autoridades permitem aos conversos a compra da cidadania.

Segundo relatos da época, os recém-chegados despertaram a desconfiança das autoridades, temerosas de que se tratasse de "papistas espanhóis", pois seus modos e suas vestimentas faziam-nos parecerem fidalgos. No Yom Kipur de 1597 as autoridades entraram na residência onde estava reunida a congregação. Encontraram todos em oração, imersos numa profunda concentração. Prenderam o rabino e vários dos presentes, suspeitando que fossem conspiradores "papistas". Coube a Jacob Tirado explicar às autoridades que eram conversos, recém voltando ao judaísmo após escapar das garras da Inquisição espanhola. Assegurou ainda serem "homens de paz", que haviam trazido consigo riquezas e que suas actividades e empreendimentos já estavam, de facto, a contribuir para a prosperidade do país.

Não se sabe exactamente o que responderam a Tirado. Presume-se, no entanto, que lhe tenham dado garantias, pois contratos e registros de tabeliões revelam o aumento da actividade judaica na cidade. Estima-se que em 1599 já houvesse uma centena de judeus portugueses estabelecidos em Amsterdão, havendo documentos oficiais de 1602 mencionando os serviços religiosos judaicos em casa do rabino Moshe Uri Halevi.

Na Holanda, diferentemente do que ocorria em outras nações, lei alguma segregava ou discriminava os judeus; podiam casar-se, comprar e herdar propriedades. Tampouco eram obrigados a viver em guetos, nem a usar qualquer tipo de vestimenta que os diferenciasse do restante da população. É bem verdade que quando os conversos chegaram a Amsterdão, não podiam professar sua religião em público, podendo apenas fazê-lo em suas residências. Mas, longe da temida Inquisição, puderam, aliviados e sem medo, abandonar seu disfarce católico.

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Bibliografia

Kaplan, Yosef - Les Nouveuaux-Juifs D´Amsterdam, The Esnoga, a Monument to Portuguese-Jewish Culture,1991, Ed. D'Arts Amsterdam Gottheil, Richard e Seeligmann, Sigmund , Amsterdam, Jewish Enciclopaedia.com

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Baruch Haba


Vídeo gravado na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão "Esnoga"

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