Published 17 Julho 2007 by Marco Moreyra. 
Na Itália, 18% da população acreditam terem sido os judeus os responsáveis pela morte de Jesus. Na Polónia, são 39% os que sustentam essa afirmação. Além disso, cerca de um terço dos italianos (32%) acreditam ser "provavelmente verdadeiros" ao menos três entre quatro estereótipos anti-semitas submetidos ao juízo dos entrevistados.
Esses são alguns dos resultados revelados por uma pesquisa da entidade israelita Liga Contra a Difamação dos Judeus (ADL) em cinco países europeus: Itália, França, Espanha, Alemanha e Polónia. Os resultados indicam um possível aumento dos comportamentos hostis aos judeus na Europa, em comparação com outra pesquisa realizada em 2005. "Milhões de europeus", afirmou o director nacional da ADL, Abraham Foxman, "continuam a adoptar uma vasta gama de estereótipos anti-semitas e teorias da conspiração, como a acusação de que os judeus são mais leais a Israel que ao seu país" .
Fonte: Jornal ALEFEtiquetas: Anti-semitismo
Published by Marco Moreyra. 
O primeiro Kabbalista que conhecemos foi o patriarca Abraham. Ele viu as perplexidades da existência humana, fez perguntas ao Criador, e os mundos superiores se revelaram para ele. O conhecimento que ele adquiriu, e o método usado nessa aquisição, ele transmitiu para as próximas gerações. A Kabbalah foi transmitida entre os Kabbalistas oralmente por muitos séculos. Cada Kabbalista adicionou sua experiência única e sua personalidade a esse conjunto de conhecimento acumulado. Suas realizações espirituais foram descritas em linguagem apropriada para as almas de suas gerações.
Judeu Hassidi em Safed *(*conhecida como a cidade Kabalista)
A Kabbalah continuou a se desenvolver depois que a Bíblia (os Cinco Livros de Moisés) foi escrita. No período entre o Primeiro e o Segundo Templos (586 aec – 515 aec), já era estudada em grupos. Após a destruição do Segundo Templo (70 ec) e até a geração atual, houve três períodos particularmente importantes no desenvolvimento da Kabbalah, durante os quais foram elaborados os mais importantes escritos sobre o seu estudo.
O primeiro período ocorreu durante o 2o século, quando o Rabbi Shimon Bar Yochai (o Rashbi) escreveu o livro do Zohar. Isso aconteceu por volta do ano 150 da era comum. O Rabbi Shimon era um discípulo do famoso Rabbi Akiva (40ec – 135ec). O Rabbi Akiva e vários de seus discípulos foram torturados e mortos pelos romanos, que se sentiam ameaçados pelo ensinamento da Kabbalah. Eles esfolaram sua pele até os ossos com uma escova de aço para cavalos (como o atual ancinho). Em seguida à morte de 24.000 discípulos do Rabbi Akiva, o Rashbi foi autorizado pelo Rabbi Akiva e pelo Rabbi yehuda Ben Aba a ensinar a Kabbalah às gerações futuras, tal como tinha sido ensinada a ele. O Rabbi Shimon Bar Yochai e quatro outros foram os únicos a sobreviver. Após a captura e prisão do Rabbi Akiva, o Rashbi escapou com seu filho, Elazar. Eles se esconderam numa caverna por 13 anos.
Eles saíram da caverna com o Zohar, e com um método consolidado para estudar Kabbalah e atingir a espiritualidade. O Rashbi atingiu os 125 níveis que o homem pode alcançar durante sua vida neste mundo. O Zohar nos conta que ele e seu filho alcançaram o nível chamado ‘Eliahu o Profeta’, o que significa que o próprio Profeta os ensinou.
O Zohar foi escrito de uma forma especial e única, a forma das parábolas, em aramaico – uma língua falada nos tempos bíblicos. O Zohar nos conta que o aramaico é o ‘inverso do hebraico’, o lado oculto do hebraico. O Rabbi Shimon Bar Yochai não escreveu, ele mesmo; ele transmitiu a sabedoria e o modo de alcançá-la de um modo organizado, ditando o conteúdo ao Rabbi Aba. Aba escreveu novamente o Zohar de um tal modo que somente aqueles que fossem merecedores pudessem compreendê-lo.
O Zohar explica que o desenvolvimento humano divide-se em 6.000 anos, durante os quais a alma atravessa um contínuo processo de desenvolvimento, a cada geração. No fim do processo as almas alcançarão uma posição chamada ‘o fim da correção’, isto é, o nível mais alto de espiritualidade e plenitude.
O Rabbi Shimon Bar Yochai foi um dos maiores de sua geração. Ele escreveu e interpretou muitos assuntos Kabbalisticos, que foram publicados e são bastante conhecidos até os dias de hoje. Por outro lado, o livro do Zohar desapareceu após ter sido escrito.
Segundo a lenda, os escritos do Zohar foram mantidos ocultos numa caverna próxima de Safed, em Israel. Eles somente foram encontrados muitas centenas de anos após, por árabes que moravam naquela área. Um Kabbalista de Safed comprou peixe no mercado um dia, e surpreendeu-se quando descobriu o valor imensurável do papel em que o peixe vinha embrulhado. Ele imediatamente comprou as demais folhas de papel dos árabes, e reuniu-as em um livro.
Isso aconteceu porque a natureza das coisas ocultas é tal que elas precisam ser descobertas no momento apropriado, quando almas apropriadas tiverem reencarnado e entrado no nosso mundo. Foi assim que o Zohar pôde ser revelado após tanto tempo.
O estudo desses escritos foi conduzido em segredo por pequenos grupos de Kabbalistas. A primeira publicação do livro foi efetuada pelo Rabbi Moshe de Leon, no século XIII, na Espanha.
O Segundo período do desenvolvimento da Kabbalah é muito importante para a nossa geração. Esse foi o período do ‘ARI’, Rabbi Yitzchak Luria, que criou a transição entre os dois métodos do estudo da Kabbalah. A primeira vez em que a pura linguagem da Kabbalah apareceu foi nos escritos do Ari. O Ari proclamou o início de um período de estudo massivo e aberto da Kabbalah.
O Ari nasceu em Jerusalém em 1534. Era criança quando seu pai morreu, e sua mãe o levou para o Egito, onde ele cresceu na casa de seu tio. Durante sua vida no Egito, ele se sustentava com o comércio, mas dedicava a maior parte do seu tempo a estudar Kabbalah. A lenda diz que ele passou sete anos isolado na ilha de Rodes, no Nilo, onde ele estudou o Zohar, livros dos primeiros Kabbalistas e escritos de um outro Rabbi de sua geração, o ‘Ramak’, Rabbi Moshe Cordovero.
Em 1570 o Ari chegou a Safed, Israel. Apesar de sua juventude, ele imediatamente começou a ensinar Kabbalah. Sua grandeza foi logo reconhecida; todos os sábios de Safed, que eram muito versados na Sabedoria oculta e revelada, vieram estudar com ele, e ele se tornou famosos. Por ano e meio seu discípulo, o Rabbi Chaim Vital, anotou as respostas a muitas questões que surgiram durante seus estudos.
O Ari nos deixou um sistema básico para o estudo da Kabbalah, que ainda é usado hoje. Alguns desses escritos foram Etz haChayim (a árvore da vida), Sha’ar haKavanot (o portal das intenções), Sha’ar haGilgulim (o portal das reencarnações) e outros. O Ari morreu em 1572, ainda jovem. Segundo sua última vontade, seus escritos foram arquivados, para que sua doutrina não fosse revelada antes que chegasse a época certa.
Os grandes Kabbalistas forneceram o método e o ensinaram, mas sabiam que sua geração ainda não seria capaz de apreciar sua dinâmica. Assim, muitas vezes eles preferiram esconder, ou até queimar seus escritos. Sabemos que o Baal haSulam queimou e destruiu a maior parte de seus escritos. É especialmente significativo este fato, de que o conhecimento tenha sido escrito em papel, e a seguir, destruído. O que quer que tenha sido revelado no mundo material afeta o futuro, e é revelado com mais facilidade da segunda vez.
O Rabbi Vital ordenou que outras partes dos escritos do Ari fossem escondidas e enterradas com ele. Uma parte foi entregue ao seu filho, que organizou os famosos escritos, os Oito Portais. Muito mais tarde, um grupo de estudiosos liderados pelo neto do Rabbi Vital retirou outra parte dos escritos do túmulo.
O estudo do Zohar em grupos começou abertamente durante o período do Ari e então, prosperou por dois séculos. No grande período da Chassidut (1750 até o fim do século XIX), quase todo grande rabbi era um Kabbalista. Apareceram Kabbalistas, principalmente na Polônia, na Rússia, no Marrocos, no Iraque, no Yemen e em vários outros países. Então, no começo do século XX, o interesse em Kabbalah enfraqueceu até desaparecer quase completamente.
O terceiro período do desenvolvimento da kabbalah contém um método adicional às doutrinas do Ari, escrito nesta geração pelo Rabbi Yehuda Ashlag, autor do comentário Sulam (escada), sobre o Zohar e os ensinamentos do Ari. Esse método é particularmente apropriado para as almas da geração atual.
O Rabbi Yehuda Ashlag é conhecido como o ‘Baal haSulam’, por causa de sua obra Sulam do Zohar. Ele nasceu em Lodz, Polônia, em 1885; absorveu um profundo conhecimento da lei escrita e oral em sua juventude e mais tarde, tornou-se um juiz e professor em Varsóvia. Em 1921 ele imigrou para Israel com sua família, e tornou-se o rabbi de Givat Shaul em Jerusalém. Ele já estava ocupado em escrever sua própria doutrina quando começou a esboçar o comentário sobre o Zohar em 1943. O Baal haSulam acabou de escrever seu comentário sobre o Zohar em 1953. Ele morreu no ano seguinte e foi enterrado em Jerusalém, no cemitério Givat Shaul.
Seu filho mais velho, o Rabbi Baruch Shalom Ashlag, o ‘Rabash’, tornou-se seu sucessor. Seus livros estão estruturados de acordo com as instruções de seu pai. Eles foram elaborados sobre os escritos do seu pai, de modo a facilitar a compreensão desses comentários para a nossa geração.
O Rabash nasceu em Varsóvia em 1907 e imigrou para Israel com seu pai. Somente após o Rabbi Baruch ter-se casado, seu pai o incluiu no grupo seleto de estudantes da sabedoria secreta da Kabbalah. Logo após ele foi autorizado a dar aulas aos novos alunos do seu pai.
Em seguida ao falecimento de seu pai, o Rabbi Baruch assumiu a tarefa de continuar ensinando o método especial que ele havia aprendido. Apesar de suas grandes realizações, assim como seu pai, ele insistiu em manter um modo de vida muito modesto. Durante sua vida ele trabalhou como sapateiro, operário de construção e balconista. Externamente, ele viveu como uma pessoa comum, mas devotou cada momento livre para estudar e ensinar Kabbalah. O Rabash faleceu em 1991.
O Rabbi Yehuda Ashlag, o Baal HaSulam, é reconhecido como o líder espiritual de nossa geração. Ele é o único nesta geração que escreveu um comentário completamente abrangente e atualizado sobre o Zohar e os escritos do Ari. Esses livros, mais os ensaios do Rabbi Baruch Ashlag, são a única fonte que podemos usar para nos ajudar em nosso progresso.
Quando nós estudamos os seus livros, nós estamos de fato estudando o Zohar e os escritos do Ari, através de comentários mais recentes (dos últimos 50 anos). Essa é uma proteção para a nossa geração, pois nos possibilita estudar textos antigos como se tivessem sido escritos agora, e usá-los como trampolim para a espiritualidade.
O método do Baal hasulam serve para todos, e a sulam (escada) que ele construiu com seus escritos nos assegura que nenhum de nós deve temer o estudo da Kabbalah. Qualquer um que estude Kabbalah pode ter certeza de que dentro de três a cinco anos será capaz de atingir as esferas espirituais, todas as realidades e o divino entendimento, o nome dado ao que está acima e além de nós, e que ainda não conseguimos sentir. Se estudarmos de acordo com os livros do Rabbi Yehuda Ahslag, o Baal haSulam, poderemos atingir a verdadeira correção.
O método de estudo foi construído de modo a despertar em nós o desejo de compreender os mundos superiores. Nós recebemos um grande desejo de entender nossas raízes, como nos conectarmos com elas. Então nós recebemos o poder de melhorar e preencher a nós mesmos.
Todos os três grandes Kabbalistas são a mesma alma, que apareceu primeiro como Rabbi Shimon, numa segunda ocasião como o Ari, e pela terceira vez, como o Rabbi Yehuda Ashlag. Em cada ocasião, tinha chegado a época para uma revelação a mais, porque as pessoas daquelas gerações o mereciam, e essa alma desceu para ensinar o método apropriado para cada geração.
Cada geração é cada vez mais merecedora de descobrir o Zohar. O que foi escrito pelo Rabbi Shimon Bar Yochai e oculto, foi posteriormente descoberto pela geração do Rabbi Moshe de Leon, e depois pelo Ari, que começou a interpretar isto na linguagem da Kabbalah. Esses escritos também foram guardados e parcialmente redescobertos quando chegou a época certa. Nossa geração tem o privilégio de aprender do Sulam, que agora permite a cada um estudar Kabbalah e corrigir-se.
Vemos que o Zohar fala para cada geração. Em cada geração ele se revela mais e é melhor compreendido que na geração precedente. Cada geração abre o livro do Zohar de um modo único, apropriado para as raízes de sua alma especial.
Ao mesmo tempo, é importante que seja feita uma tentativa de reservar os escritos Kabbalísticos, de modo que aqueles que sentem a necessidade de buscar por eles os encontrem por si mesmos. Os Kabbalistas sabem, evidentemente, que o processo de mudança requer duas condições: o tempo correto, e a maturidade da alma. Nós estamos testemunhando uma ocorrência muito interessante, caracterizada pela irrupção e sinalização de uma nova era no estudo da Kabbalah.
Do livro "A guide to the Hidden Wisdom of the Kabbalah", de Rav Laitman, Capitulo 4
Etiquetas: Kabbalah e Mística Judaica
Published by Marco Moreyra. 

Não são bem férias, pois a responsabilidade é muita, mas a experiência estou certo será fantástica. Próxima 5ªfeira partimos (eu a minha "bubbele") para Nova Iorque. Durante duas semanas vamos ficar no CAMP RAMAH em Berkshires, um dos muitos campos de férias para crianças e jovens judeus, sob a orientação religiosa do
Jewish Theological Seminary.
A nossa missão é sensibilizar crianças que têm o tudo o que o Judaísmo pode proporcionar na Big Apple e que tendem a afastar-se da sua Tradição... Cada geração traz uma nova luta pela não assimilação de costumes que não os nossos. A nossa missão é dizer-lhe que têm tudo (escolas, sinagogas, vida comunitária... restaurantes kosher!) para manter a chama acesa e não estão a proveitar. Em contraponto, deste lado do Atlântico, judeus lutaram e lutam contra todas as adversidades para que essa mesma chama não se apague. É essa história que lhes queremos contar. Espero que nos entendam...
Etiquetas: História e Herança
Published 05 Julho 2007 by Marco Moreyra. 
Relativamente ao tema transcrito neste blog em Janeiro sobre os
Manuais Escolares, aqui fica o estudo e o vídeo do programa Fé dos Homens.
Etiquetas: Anti-semitismo, Polémica e Opinião
Published 02 Julho 2007 by Marco Moreyra. 
"Quem é Judeu?"
Por Júlio Silva Cunha, n`O Apaniguado
A lei judaica (halakhá) entende que é judeu, quem seja filho de mãe judia ou que ele próprio tenha-se convertido ao judaísmo.
Esta é a definição clássica que os não-judeus facilmente assimilaram. Contudo, para a lei judaica existem outros requisitos.
Para alguém poder ser considerado como filho de mãe judia, tem que provar que esta última não se converteu a outra religião.
Vamos ver o caso de Karl Marx. A mãe e o pai eram judeus. Antes do nascimento de Marx converteram-se ao luteranismo. Marx foi educado na religião luterana.
Para os judeus e segundo a sua lei, Marx não era judeu. A mãe, antes do seu nascimento, converteu-se a outra religião. Esta questão é essencial pois faz com que os filhos dsessa senhora não possam ser considerados judeus. Um judeu não pode ser judeu-luterano ou judeu-budista ou judeu-muçulmano. A definição faz-se pela adesão a uma única fé.
Por outro lado, temos o caso da vontade pessoal e da conformação identitária do indivíduo; Marx sempre se afirmou como não judeu. Em jovem sempre se considerou como alemão e luterano, mais tarde simplesmente como socialista.
Mesmo que alguém tenha nascido judeu, se ao longo da vida se converter a outra religião, perde esse estatuto. Como dizia o Miguel Castelo Branco, estamos perante uma comunidade que não se fundamenta na raça mas na etnicidade. Etnicidade no sentido helénico - comunidade linguística, religiosa (o mesmo panteão), de valores morais e éticos - o que retira a ideia de raça (na sua dimensão de cor/pigmentação) ao judaísmo.
Povo, enquanto comunidade de valores comuns, mas não de similitude racial. Nesse sentido, o judaísmo sempre foi pluri(racial).
O caso dos filhos de Hertzl é paradigmático do conceito de permanência judaica. Hertzl e a mulher eram sem dúvida alguma judeus. Sobre os filhos de ambos pesou a dúvida que tinham-se convertido ao cristianismo. O Estado de Israel tentou transladar o corpo dos filhos de Hertzl para Israel para poderem serem sepultados num cemitério judeu. Os rabinos chefes de Israel oposeram-se durante décadas a essa transladação enquanto não tivessem provas de que os filhos de Hertzl não se tinham convertido a outra religião.
Qual a razão de ser deste zelo?
Num cemitério judaico só podem ser sepultadas pessoas dessa fé. Os "candidatos" podem ser loiros, negros, verdes ou às bolinhas, o que interessa é que sejam de religião judaica. Se são filhos de judeus, mas converteram-se a outra religião, jã não podem ser sepultados num cemitério judaico ou simplesmente serem considerados como judeus.
A filiação faz-se pela partilha de valores religiosos e morais.
A pergunta para os liberais. A definição da identidade pessoal faz-se pelo próprio, pela tribo ou pela "comunidade nacional"(não judeus)?
Segundo as doutrinas de certos liberais lusos, a definição faz-se pela comunidade nacional. Assim, apesar do próprio Marx não se coniderar como judeu, a religião judaica não o ver como um dos seus, ele é judeu porque a comunidade nacional (os não judeus) assim o entendem.
O nazismo também aproximou-se desta definição - uma vez o sangue poluído por gotas semitas, para sempre judeu seria considerado.
O judaísmo não acredita no conceito puro e estrito do ius saguini, mas os goym (não judeus) acham o contrário! Que fazer?!
COMENTÁRIO por Marco Moreyra:
Artigo muito interessante… Yasher koach!
Achei curiosa a história dos filhos de Theodor Herzl. Já nem me lembrava da polémica. No entanto este tema aliado à tua frase “Num cemitério judaico só podem ser sepultadas pessoas dessa fé.”. Pus-me a pensar na raiz desta lei ou costume. - Qual dos dois!?
Levantou-se-me o exemplo de um não-judeu que participe activamente numa comunidade Judaica e que se identifique com a fé judaica e que ainda assim não se tenha convertido… e noutras questões relativas a casamentos mistos (e não só).
A proibição tradicional de enterrar um não-judeu num cemitério judaico é baseada na halachá (lei judaica). O Talmud proíbe "enterro do mau com o justo" (B. Sanhedrin 47a). Isto é entendido pelos comentaristas mais tradicionais como uma proibição no enterro de judeus e não-judeus (!) no mesmo cemitério. Outra passagem, no entanto, existe que indica que judeus devem enterrar "pagãos" por manter paz (B. Gittin 61a). Rashi, o comentarista mais autorizado no Talmud, determina que é permissível em alguns casos para judeus enterrarem o corpo de um não-judeu, mas não num cemitério judaico.
A proibição de enterrar não-judeus em cemitérios judaicos é observada hoje por judeus Ortodoxos e Conservadores. É uma interpretação que bem é estabelecida séculos sobre muitos. Mas a posição Reformista dá que pensar…
Em 1914, os Rabinos de Reforma determinaram que é permissível enterrar os esposos(as) não-judeus de judeus em cemitérios judaicos. Esta posição é baseada em vários factores: A passagem de Talmud restringindo "enterro do mau" refere-se a criminosos, não a não-judeus (faz sentido). A passagem que apoia o enterro de "pagãos" ao lado judeus parece-se aplicar melhor a interesses contemporâneos e, finalmente, as sepulturas individuais são consideradas sagradas na lei judaica, não um cemitério inteiro (de novo, sentido faz!) -- uma sepultura não afecta a santidade de outra.
Esta posição da Reforma, no entanto, não sanciona ritos não-judaicos de enterro num cemitério judaico nem o ofício do clero não-judeu num cemitério judaico. A maioria das comunidades judaicas reformistas não permite qualquer um.
Enfim, dois judeus… três opiniões!
Nem sou reformista ou liberal como sabes, mas sempre achei que não devemos confundir fundamentos com fundamentalismos. “Cada caso é um caso…” - Sinto-me apaniguado por esta máxima.
Um abraço alfacinha
Kol tuv,
Marco Moreyra
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