Actualidade e Cultura Judaica por Marco Moreyra



Decretos ...


Decreto do papa Bento XVI

Um decreto do papa Bento XVI permitindo que os padres celebrem a missa com mais regularidade em latim foi criticada por católicos sendo considerado por alguns como um golpe às reformas dos anos 1960 que promoveram a missa em línguas locais e compreensíveis para não-católicos. "Este é o momento mais triste em minha vida como homem, padre e bispo", lamentou Luca Brandolini, membro da comissão de liturgia da conferência de bispos italianos. O decreto também revive uma passagem do antigo livro de orações em latim para a Sexta-Feira Santa que pede para que os judeus sejam convertidos: "Oremos pelos judeus, para que Deus retire o véu que cobre seus corações e lhes faça conhecer nosso senhor Jesus Cristo".


Líderes judeus fizeram fortes críticas ao decreto, como o teólogo Brunetto Salvaranni, especialista no diálogo judaico-cristão, que foi enfático: “Em nome da sua nacionalidade e da militância que teve no passado na juventude nazi, faço votos para que o Papa Bento XVI tenha sensibilidade suficiente para excluir estes versos”. Outros, entretanto, assumiram um tom mais comedido. “Acho que alguns interpretaram o decreto de uma maneira extremamente alarmista. É preciso que se façam esclarecimentos, mas não
há dúvidas do compromisso do papa Bento em manter respeitosas relações com o povo judeu", opinou o Rabino David Rosen, do Comitê Judaico Norte-Americano.

Centro Simon Weisenthal pede demissão de sacerdote polaco

O Centro Simon Weisenthal pediu ao Papa Bento XVI para que demita o sacerdote polaco Tadeusz Rydzyk pelo seu “manifesto anti-semita", que tem vindo a provocar polémica no governo. O sacerdote, director da emissora ultracatólica Maryja, acusou o chefe de Estado, Lech Kaczynski, de ser favorável às reivindicações dos judeus em relação à Polónia: "A questão é que a Polónia deve dar aos judeus 65 milhões de Dólares. Eles virão até nós e pedirão: ''dê-me esta casa, pague estas calças, dê-me estes sapatos”, afirmou Rydzyk. O padre ainda chamou a esposa do presidente de "bruxa". O Congresso Judaico Europeu abriu em vão um processo judicial contra a emissora, que é protegida pelo governo conservador de ... Kaczynski (!).


Foto-montagem do padre Rydzyk numa nota de 50 Zlotis*

* Fruto da constante condenação dos liberais polacos pela obsessão do Padre pelo dinheiro. Há mais fotos dele ao lado de Ferraris, só rir...

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Judaismo, Marranismo e Identidade


Por: Jorge Martins, Prof. de História e autor dos 3 vol. de "Portugal e os Judeus"

Os judeus viveram um longo período de afirmação e crescimento em Portugal até que, em 1496, sob a pressão dos ventos adversos que sopravam forte da vizinha Espanha desde finais do século XIV, D. Manuel I não soube ou não quis resistir às exigências políticas espanholas, quando desposou a filha dos "Reis Católicos". Pior do que a expulsão, ao contrário do que haviam feito os seus sogros, o nosso rei tentou a todo o custo impedir a saída dos judeus e, com eles, os seus cabedais, o seu saber, a sua competência, a sua experiência, a sua capacidade empreendedora, o que arruinaria o tecido sócio-económico do reino. Enganou-os, não cumpriu o seu próprio édito intolerante e forçou-os ao baptismo. Mas, mais do que o incomensurável drama humano que provocou numa boa parte da portugalidade, foi a incompatibilidade que introduziu na sociedade portuguesa. Os judeus, agora não-judeus, mas sempre tidos como tal, eram rejeitados, quer como judaizantes quer como espúrios, condenados à eterna mácula do "pérfido" sangue judaico, uma gota que fosse.

Verdadeiramente anti-semita, D. João III daria o golpe final na situação que seu pai criara, mas que oscilava o suficiente para vir em socorro das vítimas do massacre de 1506, decretando a extinção da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, vedando as inquirições às práticas judaicas, autorizando a sua saída do reino, não pedindo com a devida veemência o Santo Ofício para o Reino. Seria, efectivamente, seu filho, o incansável inimigo dos judeus, quem porfiaria nas pretensões intolerantes do estabelecimento da Inquisição, que compraria à Santa Sé, após mais de uma década de esforços, de corrupção activa e de imensos cabedais.Importada que foi a expulsão, sem qualquer alteração substancial da relativa aceitação do judeu na sociedade portuguesa, apesar da existência de alguma animosidade, quiçá ampliada pelos infelizes acontecimentos no resto da península, a Inquisição viria alterar irreversivelmente a relação entre cristãos-novos e cristãos-velhos. Apesar do terror inquisitorial, a resistência cristã-nova e a persistência do culto judaico durante os séculos XVI a XVIII, pode ser atestada pelos próprios processos do "fero monstro", pela conversão de inúmeros cristãos-novos portugueses que se exilam para poderem desenvolver as suas actividades económicas e assumir a sua verdadeira religião e pela espantosa emergência do criptojudaísmo durante as primeiras décadas do século XX.

Não partilhamos a (insuficientemente fundamentada) justificação da introdução da Inquisição como uma necessidade de regulação da relação entre cristãos e judeus, ou como uma tentativa de evitar o mal maior do antijudaísmo popular. Um dos argumentos mais utilizados para legitimar o Santo Ofício como uma resposta aceitável para a época, é o do massacre de 1506, que foi sanado por D. Manuel, que castigou exemplarmente os instigadores, comandados por dois frades dominicanos, que também foram executados por ordem régia. Mas, uma vez mais se comprovava assim que a acção tolerante dos nossos monarcas poderia ter evitado o crescendo do antijudaísmo encorajado e acicatado por clérigos intolerantes. Contudo, a política prosseguida por D. João III foi a grande responsável pela inviabilização da conciliação possível de judeus e cristãos, como acontecera no passado. A Inquisição não foi, pois, uma necessidade, um impulso natural, uma tentativa de evitar um mal maior. Bem pelo contrário, o Tribunal do Santo Ofício encarcerou o país nas teias da estreiteza anti-humanista da visão de um clero racista que empenhou o futuro de Portugal a todos os níveis.

Não obstante, não se pode deixar de assinalar que houve homens corajosos que se opuseram aos crimes inquisitoriais, sancionados por D. João III e todos os monarcas que lhe seguiram as pisadas. O primeiro grande filo-semita foi António Vieira, que, apesar de não ter sido bem sucedido nos seus intentos tolerantistas, acabaria por influenciar outras personalidades, como D. Luís da Cunha, Xavier de Oliveira, Ribeiro Sanches e Melo Freire, que retomariam as propostas de reforma dos métodos da Inquisição ou, mesmo, de aceitação do livre culto aos judeus. Quando Pombal legislou favoravelmente às pretensões judaicas, ironicamente, poria em prática as teses de um dos principais lutadores pela tolerância, o jesuíta António Vieira, membro da odiada Ordem a quem Sebastião José de Carvalho e Melo acusaria de responsável por todos os males do Reino.

Ceifada pela raiz a intolerância antijudaica, designadamente na sua expressão literária e na inaceitável discriminação persistente em pleno Século das Luzes, estava delineado o caminho para a emancipação judaica, que começaria pela criação de comunidades israelitas em Lisboa, Açores e Faro, veria consagrada tacitamente na lei a sua existência, embora como "colónias" estrangeiras, com a extinção da Inquisição, e alcançaria o reconhecimento legal após a implantação da República. Seria justamente durante o novo regime republicano que emergiriam à luz do dia das conservadoras terras interiores das Beiras e de Trás-os-Montes as comunidades marranas, esquecidas do judaísmo oficial, esquecidas do país, esquecidas do mundo, até esquecidas de si próprias. Novo abalo se sentiria nas hostes anti-semitas, que haviam sido emudecidas por Pombal desde o último quartel do século XVIII. Com efeito, se o século XIX não foi favorável ao crescimento dessas ideias entre nós, a proclamação da República e o resgate do criptojudaísmo veio proporcionar novos argumentos aos paladinos da intolerância, adversários da liberdade e da democracia. Barros Basto tornava-se assim o centro das atenções anti-semitas, enquanto se invocavam os Protocolos dos Sábios do Sião para confirmar as pretensões dominadoras do mundo e derruidoras do edifício católico por parte dos israelitas.O criptojudaísmo, assolado por anti-semitas cada vez mais intervenientes e por judeus receosos da estabilidade, paulatina e sofridamente alcançada ao longo de mais de um século de dificuldades, de dissenções internas e de precauções externas, depois de um momento de euforia internacional, ver-se-ia remetido a um criptomarranismo forçado. O país nunca mais recuperaria a alma judaica, enterrada pela Inquisição e inviabilizada na sua forma única de sobrevivência: o marranismo.

Forçados a abjurar o judaísmo, perseguidos por nos termos tornado cristãos-novos à força, impossibilitados de regressar ao judaísmo oficial e incapazes de criar uma igreja marrana, tornámo-nos um povo com identidade, não apenas múltipla e miscigenada, mas difusa e sempre dominada por uma angustiante duplicidade, que nos tem impelido, ora para a exagerada euforia optimista, ora para o recorrente pessimismo de não termos assumido uma identidade, qualquer que fosse, mas uma identidade assente em inequívocas raízes de pertença, interiorizadas em todas as suas dimensões.

Foi este o mais perene dos muitos crimes da Inquisição, que os dois séculos posteriores à tri-centenária história da intolerância não conseguiram reconciliar no ser português que somos hoje. Na verdade, perdemos a nossa plena identidade a partir do início do século XVI e nunca mais a recuperámos até hoje. Por outras palavras, apesar da tão propalada presença judaica no ser português, ainda não somos capazes de assumir, no século XXI, a dimensão judaica da nossa identidade.

Isto é consequência da bem sucedida acção de desmantelamento da sociedade das três culturas – cristã, judaica e muçulmana – que Portugal esboçou na aurora da nacionalidade e se poderia ter aprofundado, não fora o infamante decreto de expulsão e o terrorista tribunal da Inquisição. Com efeito, as comunidades judaicas portuguesas crescem entre os séculos XII e XV, revelando um claro sinal de que a tolerância – aceitando-lhe a natureza contraditória –, assumida pela generalidade dos nossos monarcas até D. Manuel I, possibilitaram o enraizamento da dimensão judaica do ser português do século XVI. Mesmo o rei que decretou a expulsão de judeus e mouros sabia que isso seria – como, infelizmente, para eles e para nós, foi – uma catástrofe económica, social e cultural irreversível. Por isso, não deixou sair os judeus e baptizou-os à força, mesmo contra a vontade dos seus conselheiros.

A desestruturação mental que o baptismo forçado e a acção inquisitorial operaram na sociedade portuguesa, obliterou o (embora precário e desigual) convívio inter-religioso e intercultural que se estava a construir ainda antes da fundação da nacionalidade e se aprofundou durante os séculos XII a XV. Foi a intolerância católica que impediu o português de quinhentos de ser o que era de facto: um povo de raízes diversas. Essa amputação social, cultural e mental teria repercussões incomensuráveis em todos os domínios da vida portuguesa, acabando por atravessar a história dos judeus, dos marranos e dos cristãos (novos e velhos), que não mais puderam assumir-se em toda a plenitude do seu ser. Dos escolhos da(s) intolerância(s) emergiria um novo português, o português que todos nós somos um pouco: o marrano, que, quer queiramos ou não, nos ficou como uma marca identitária indelével.

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Em resposta a esta farsa (clique para ler) prestes a instalar-se em Trancoso pretendo com uma série de "posts" esclarecer os demais leitores sobre o fenómeno messiânico...

Muitas pessoas ficam confusas com os argumentos dos “judeus” messiânicos e desconhecem a resposta judaica às seguintes afirmações dos mesmos:

1) É possível para os judeus e marranos manterem a sua identidade judaica mesmo após se converterem ao “judaísmo” messiânico.

2) A Bíblia Judaica está repleta de referências proféticas a Jesus.

3) Salvação espiritual e relacionamento pessoal com Deus são possíveis somente através de Jesus.

4) Há milagres que “provam” a validade do Cristianismo.

5) A crença cristã na Trindade Divina é compatível com o Judaísmo.

Esperamos que ao examinar-se cada uma destas questões e a resposta judaica correspondente, a posição do Judaísmo seja claramente compreendida.

É possível para os Judeus e Marranos manterem a sua identidade judaica após se converterem ao “Judaísmo” Messiânico?!

No seu intento de converterem judeus, os missionários messiânicos afirmam que uma pessoa pode continuar a ser judeu enquanto pratica o Cristianismo. O uso de terminologias como “judeu messiânico”, “cristão hebreu”, e “judeu para Jesus” é apenas uma tentativa enganosa de apresentar os judeus convertidos como judeus.* Na verdade, os missionários chegam ao extremo de afirmar que um judeu que aceita Jesus (ou Yeshua” , como o chamam) é um “judeu completo”, implicando obviamente que todos os outros judeus são incompletos. A adulteração e a fraude empregadas nestas tentativas de disfarçar a seriedade de uma conversão de um judeu ao Cristianismo se reflecte similarmente no amplo uso distorcido de símbolos e costumes judaicos,* na fabricação de textos judaicos e na falsa apresentação de “bagagem” e educação judaica de muitos “judeus” messiânicos.

Numerosos líderes “judeus” messiânicos desonestamente referem-se a si mesmos como “rabinos” e aos seus locais de culto como “sinagogas”. Estas tácticas são empregadas numa tentativa de tornarem sua versão do Cristianismo mais palpável para os judeus e marranos que pretendem converter. Entretanto, nas palavras de um dos inúmeros grupos cristãos que condenam a “Cristandade Hebraica”, “... estas técnicas proselitistas são similares às conversões forçadas e devem ser condenadas”. (de uma declaração formal emitida pela Conferência Interreligiosa da Washington Metropolitana, D.C.)


A Resposta Judaica


O facto continua a ser que, apesar destas tentativas superficiais de soarem judaicos, termos “cristão hebreu”, “judeu messiânico” e “judeus para Jesus” são paradoxos absurdos e uma contradição teológica. Os assim chamados “judeus” messiânicos argumentam que uma pessoa que nasceu judia jamais poderá perder seu direito de nascença ou herança. Entretanto, a Bíblia ensina que as suas crenças sim influenciam seu status judaico e que uma pessoa que nasceu judia pode em certo momento parar temporariamente de ser chamada de judia.

No Livro dos Reis, o profeta Elias é enviado para repreender aqueles judeus que estavam idolatrando um deus estrangeiro chamado Baal. Em Reis I, 18:21, Elias diz a eles, “Até quando vocês vão pender entre duas opiniões? Se Hashem é Deus, sigam a Ele; mas se for o Baal, então sigam a ele”. Em outras palavras, ou vocês são judeus ou são seguidores do Baal; não podem ser ambos. A história termina com os judeus renunciando a seus caminhos idólatras e retornando ao Judaísmo.

Daqui nós tiramos uma importante lição. Um Judeu que segue outra religião é judeu apenas até o ponto em que mantém uma obrigação espiritual de se arrepender e de retornar ao Judaísmo. No entanto, enquanto suas crenças forem idólatras e estranhas ao Judaísmo, ele não pode chamar-se judeu (obviamente, um judeu não praticante é diferente de um judeu que decidiu trilhar um caminho estranho). A Torá ensina que aos judeus e aos não-judeus foram dados caminhos diferentes para chegarem até Deus. Um judeu é obrigado a seguir a Torá enquanto um não-judeu deve observar as Sete Leis dos Filhos de Noé.** Um grupo não é melhor do que o outro, mas meramente diferente. Por isto, certas crenças e práticas, como comer porco, são permitidas aos não-judeus, mas não aos judeus. As crenças cristãs referentes a Deus, salvação e Messias são proibidas para os judeus. É por isso que os termos “judeus messiânicos”, “cristãos hebreus” ou “judeus para Jesus” são uma
contradição.


* Os Manuais de treino de Missionários Messiânicos estimulam o uso das expressões “crente, temente” ao invés de “cristão”, “Messias” ao invés de “Cristo”; “árvore” ao invés de “cruz” e “Novo Pacto” ao invés de “Novo Testamento”, para promover uma mensagem que soe mais judaica.

** Na sua tentativa de justificarem sua judaicidade, certos “cristãos hebreus” tacharam o Judaísmo rabínico como sendo um culto, haja vista que afirmam que ele “segue as palavras de homens e não de Deus”. Além de falsa, esta alegação também é hipócrita: “cristãos hebreus” utilizam estas mesmas tradições rabínicas para aparentarem suas práticas com aspecto de “judaicas”.

Escrito e compilado pelo Rabino BenTzion Kravits.
Adaptação: Marco Moreyra

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Porque eu admiro Israel


Por: Farid Ghadry, Sírio e Muçulmano
Como sírio e muçulmano sempre tive afinidade pelo Estado de Israel. Como homem de negócios e defensor do sistema económico liberal, Israel representa, do meu ponto de vista, um sucesso económico surpreendente, entre tantos fracassos árabes. Eu não meço as realizações em termos de negócios ou dólares, entrando ou saindo (a Arábia Saudita é melhor nisto), mas usando conceitos do valor científico que, definitivamente, é o motor que mobiliza as realizações económicas.
Enquanto muitos árabes vêem Israel como uma ferida instalada, eu vejo como uma bênção. Posso exemplificar a que me refiro.
Após a desgraça de Virginia Tech (N.T. o pior massacre em uma universidade americana, que deixou 33 pessoas mortas, incluindo o aluno serial killer), descobrimos que amigos nossos perderam uma filha. Uns dez dias depois fomos visitá-los junto com outros amigos. Nós conversamos sobre a tragédia e, um de meus amigos mais queridos, a quem respeito muito, relatou-nos um fato que ele tinha escutado. Era sobre como o Embaixador de Israel em Washington tinha conseguido, através de determinados contactos, transladar, por razões religiosas, os restos mortais do Prof. Liviu Librescu ( N.T. sobrevivente do Holocausto, professor da universidade, que morreu para salvar seus alunos do massacre) para sua família, antes que qualquer membro das outras famílias pudessem ver seus parentes mortos. Ele estava furioso com o Embaixador, mais do que contra a falta de boa vontade demonstrada pelas autoridades, de mandar simultaneamente os corpos dos muçulmanos também perecidos, especialmente o do estudante egípcio Waleed Shaalan. Eu lhe perguntei: "o Embaixador egípcio solicitou que o corpo de Shaalan fosse devolvido rapidamente à sua família, como exigem as tradições religiosas?" Ele não soube responder à pergunta mas, mesmo assim, continuou indignado com o Embaixador israelense. Ele se comportou como se a Embaixada israelense tivesse feito isso para ofendê-lo, ou ofender qualquer outro árabe. Para mim, isso confirmou minha admiração por um Estado que respeita seu povo.
Após algumas discussões inflamadas, praticamente todos concordaram que falta aos árabes qualquer sentimento de respeito para com seus povos (basicamente por falta da responsabilidade de seus governos). Os árabes deveriam adoptar uma atitude que lhes conceda o que lhes cabe. Isto acontecerá, se eles se preocuparem mais com o "como" do que com o "por que" Israel obtém resultados.
A democracia israelense e sua prosperidade económica, tão necessária em nossa região, é importante na medida em que nós podemos aprender como obter o que nós merecemos. Não é difícil imaginar nossos jovens, aprendendo o que eles merecem, quando observam a democracia israelense na televisão. Porém, é difícil imaginar que eles possam fazer o que necessitam, enquanto viverem sob um regime autoritário. Esta é a razão pela qual os árabes enviam seus próprios jovens para o terrorismo suicida, em vez de educá-los de forma que eles cresçam e sejam cidadãos do mundo; para que um dia eles possam usar suas relações para ajudar seu povo, como o Embaixador israelense em Washington ajudou a família Librescu. Como eles podem se desenvolver em um meio que anula a esperança no futuro?
Em menos de 60 anos Israel construiu uma economia dez vezes mais forte do que a da Síria, com a quinta parte da população. Como este fato é explicado? Simplesmente: Israel é uma democracia efervescente. Não por nossa culpa, a Síria sofreu uma ocupação após a outra, a última, desenvolvida organicamente, representada pela família Assad. Alguém pode supor que uma família síria ocupando a Síria cause menos danos do que a conquista francesa da Síria. Mas, a verdade é que é muito pior. A família Assad, não tão civilizada, usa técnicas despóticas muito piores. O resultado é que a Síria não apenas sofre pela falta de oportunidades e liberdades, mas também pela ausência de esperança, de dignidade e de orgulho. É uma boa fórmula para a criação de terroristas suicidas.
Quando a conceituada organização Berkshire Hathaway de Omaha imaginou investir no Oriente Médio, comprou acções de companhias industriais israelenses com base em sua excelência. Eu não conheço nenhuma companhia de investimentos ocidental que tenha adquirido ações de uma companhia estatal árabe, além de empresas lucrativas de celulares, que não podem funcionar sem know-how e equipamento ocidentais. Isso não significa que, algum dia, não possa ocorrer. Mas, eu tenho certeza de que não acontecerá a curto prazo, com nenhum dos países que cercam Israel (com excepção, talvez, da Jordânia), enquanto eles não acreditarem naquilo que podem conseguir. Diz-se que, em torno de um terço de todos que ganharam os Prémios Nobel científicos é judeu. Esta proporção é incompreensível. Um terço provém de um grupo de 15 milhões de pessoas, e os outros dois terços pertencem a uma população muito maior, de seis bilhões de pessoas ou mais. Os árabes (na maioria egípcios), conseguiram dois ou três prémios Nobel da Paz e da Literatura (dentre 350 milhões de pessoas), mas nenhum árabe ganhou em ciências, seja nas áreas de Química, Física ou Medicina. Algum argumento até agora contra a importância de Israel na região?
As declarações que se escutam de pessoas como o ignorante Ahmedinajad, que aspira varrer Israel do mapa, ou do violento Hamas, que quer lançar os judeus no mar, me lembra o conto das duas fábricas, construídas uma ao lado da outra. Uma delas teve muito êxito, com empregados que ganhavam bem. A outra não foi tão bem sucedida. Seus empregados ficaram economicamente prejudicados. O gerente da fábrica não tão bem sucedida perde todo seu tempo lutando para destruir a fábrica próspera, quando deveria investi-lo em imitar e aprender com a fábrica bem sucedida, de forma que seus empregados também desfrutassem de similar prosperidade. Se parte dos palestinos não quer aprender (muitos querem imitar o sucesso da empresa ao lado, mas não têm a oportunidade de expressar suas ideias ou de galgar a posições de poder) nós sírios queremos aprender e imitar.
James A. Baldwin disse: "Nem tudo que se enfrenta pode ser mudado, mas nada pode ser mudado até que seja enfrentado". Do meu ponto de vista a discussão sobre a divisão das terras está em segundo plano, atrás da necessidade de trazer prosperidade ao meu povo.

Artigo originalmente publicado no blog da organização Reform Party of Syria em 5 de Maio de 2007. Tradução: Walda Heynemann

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